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Aécio culpa Lula por antecipação eleitoral e diz que Brasil tem ‘governo de marketing’

Por Sandro Freitas

Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias
A visita do senador e presidente nacional do PSDB Aécio Neves (MG) a Salvador – cidade que chamou de “porta de entrada” do Nordeste – teve todo o clima e pompa da chegada de um candidato à Presidência da República, sem necessidade de usar o termo pré-candidato. Com viagens e encontros regionais do partido marcados por todo o país – o nordestino será neste sábado (21) em Maceió-AL – o político já trabalha para angariar votos e tentar vencer a disputa com a presidente Dilma Rousseff (PT) e outros postulantes. Com direito a comitiva para comer um acarajé (foto abaixo), o senador mineiro teve vários compromissos na capital baiana. Se encontrou com o prefeito ACM Neto (DEM) para tratar de política, concedeu uma entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (20) e ainda participa de um jantar com políticos locais. Durante a entrevista, o tucano seguiu a mesma linha do discurso de qualquer candidato de oposição: promessa de um novo Brasil e ataques contra o uso da máquina eleitoral por parte do governo federal, o qual opinou que “não consegue mais levantar o país”. “O Brasil precisa um novo projeto a esse que está aí. Até porque o PT abriu mão de ter esse projeto para se contentar em ter um projeto de poder. A nossa responsabilidade é essa, para que as conquistas que nós obtivemos ao longo de décadas não sejam colocadas em risco”, disse Aécio, que considerou a economia o grande problema nacional da atualidade. Segundo ele, o projeto de fortalecimento através do consumo está “exaurido”. 
 

 
Perguntado sobre a antecipação do processo eleitoral, já que estamos há mais de um ano do pleito de 2014 e sobram candidatos, o senador culpou Lula. “Houve uma antecipação clara do processo eleitoral feita pelo governo, por iniciativa do ex-presidente Lula, no momento em que lança a presidente da República como candidata. Nós não temos mais uma presidente da República. Temos uma candidata que se move, única e exclusivamente, em razão da eleição. Temos um governo do marketing comandando as eleições governamentais”, disparou. Na visão tucana, o Brasil teria virado um “cemitério de obras inacabadas”. O mineiro também falou sobre o mensalão, sem qualquer ataque ao Supremo Tribunal Federal, e comentou a proposta do partido de reforma política, com defesa a uma mandato de cinco anos, sem direito a reeleição. Vale lembrar que a renovação foi implantada justamente por um tucano, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Aécio usou uma música do baiano Raul Seixas para explicar o novo posicionamento do PSDB. “Eu prefiro ser uma metaformose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, brincou.
 

A entrevista coletiva focou também nas alianças políticas. Questionado pelo Bahia Notícias sobre as conversas com o PSB e a possibilidade de fazer um pacto com um partido ideologicamente diferente, crítica que é feita pelo PSDB ao PT, o presidenciável defendeu que a legenda presidida nacionalmente pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, está mais próxima dos tucanos. “Eu não vejo essa distância ideológica entre nós. Vejo e respeito muito o PSB, que também busca construir um projeto alternativo de país. O que é muito bom, pois – ao meu ver – o PSB percebe que esse modelo que está aí do PT exauriu-se. O que eu tenho dito é que o PSDB e o PSB, em várias partes do Brasil, já estão juntos há muito tempo. Em Minas Gerais, estado que governei durante oito anos, eu governei em parceria com o PSB. Vejo muito mais afinidade entre PSB e PSDB, por exemplo, do que muitas das alianças que hoje estão em torno do governo federal”, declarou Aécio, que também considerou importante a candidatura de Marina Silva, ex-senadora que tenta criar o partido Rede Sustentabilidade, no intuito de garantir uma “pluralidade do debate”. No entanto, o senador mineiro deixou clara a preferência para que o DEM indique o vice na chapa para presidente, ao ressaltar que o assunto não está em pauta agora. “É natural", finalizou. 

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