'Público do cinema está cada vez mais conservador', dizem diretores do Glauber Rocha
Responsáveis pela ressurreição de um dos mais importantes espaços culturais de Salvador, o antigo Cine Guarany – atual Espaço de Cinema Itaú Glauber Rocha –, Cláudio Marques e Marília Hughes transpiram história. Foi ela, ou melhor, foram elas, que reinaram absolutas nessa quase uma hora de entrevista ao Bahia Notícias. Nesta sexta (2), os cineastas e produtores encerram o recebimento dos filmes que serão selecionados para exibição e mostras competitivas da nona edição do Panorama Internacional Coisa de Cinema. O festival, que é sediado no Centro Histórico de Salvador e também acontece em Cachoeira, já é o maior e mais reconhecido da Bahia. Nesses mais de dez anos de evento – com o tempo de idealização –, algumas diretrizes já foram consolidadas: valorizar a história e o patrimônio, dialogar com o que é produzido no Brasil e no mundo, acompanhar produções fílmicas em sua fase mais embrionária para aperfeiçoar o "fazer" cinematográfico. Apaixonados por cinema, eles veem na sétima arte uma maneira de documentar e de contar, de um modo diferente, coisas que dizem respeito ao passado, presente e futuro. Este ano, eles lançam, no Festival de Brasília, o primeiro longa-metragem ficcional de suas carreiras. Intitulado “Depois da Chuva”, o filme tem inspiração autobiográfica e está, mais uma vez, ligado à história. Desta vez, a do Brasil, já que a trama, que se passa na Salvador dos anos 80, está conectada a um cenário político mais amplo, ligado às Diretas Já e à redemocratização do país. “O filme surge em um momento importante também – obviamente, nada programado – porque recupera o renascimento dessa democracia. Acho que para entendermos essa insatisfação de hoje, de como a democracia está sendo exercida e qual o nosso papel nesse processo, temos de ter em vista esse passado recente da história do Brasil. Para entender tudo isso, temos, realmente, de voltar pra 1984 e entender 1984”, afirmam. Mas as coisas não são tão por acaso assim. Como bons entendedores e contadores de histórias, eles sabem que a história é cíclica. Leia entrevista na íntegra na Coluna Cultura.
