Para MPL, empresários podem bancar tarifa: 'Há mundo paralelo de financiamento de campanhas'
Sem assumir que são "lideranças" do Movimento Passe Livre (MPL), o psicólogo, sociólogo e especialista em Política Pública, Walter Takemoto, 58 anos, e o professor de Língua Portuguesa, escritor e cineasta, Bruno D’ Almeida, 37, conversaram com o Bahia Notícias sobre os rumos das mobilizações que tomaram as ruas de Salvador no mês de junho. Para eles, apesar da redução no número de manifestantes, os atos não têm data para acabar e serão intensificados com maior "qualidade", pelo menos, até a Copa do Mundo de 2014. Para os ativistas, a questão central do MPL – a tarifa zero no sistema de transporte – não fez parte da chamada "agenda positiva" tanto em nível federal, quanto estadual e municipal. No entendimento da dupla, que assegura não se candidatar nas próximas eleições, a retirada das catracas deve ser bancada pelos próprios empresários. "Os estudos sobre planilha de transporte não correspondem à realidade porque nós sabemos que existe um mundo paralelo de financiamento de campanhas políticas que não está embutido na tarifa. [...] Quem tem que pagar pelo transporte é quem lucra com ele. Ninguém discute que o trabalhador já tem seu transporte descontado. O patrão já paga antecipado ao Setps [Sindicato das Empresas de Transporte de Salvador]. Eles recebem antes mesmo de o serviço ser realizado", pontua D' Almeida. "A grande questão é que existe um pacto entre o poder público e as empresas que tem como objetivo final ampliar o lucro deles", complementa Takemoto. Ex-diretor da Companhia Municipal de Transporte Coletivo de São Paulo (CMTC) na gestão petista de Luiza Erundina, o sociólogo informa que desde 1992 não tem mais vínculo partidário, mas ataca o prefeito ACM Neto, que criticou a participação de militantes no MPL: “ele deveria se desfiliar do DEM, dizer que é apartidário e demitir todos os secretários que são filiados". Ao confirmar que tem uma moto Harley Davidson e viaja para a Europa, ele alerta: "Se a população pobre que vive aqui no Brasil soubesse como o transporte é lá, destruiria tudo que tem aqui, porque é uma vergonha". Clique aqui e confira a entrevista na íntegra.
