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Vereador diz que Neto ignora Câmara

Por Ricardo Luzbel

Em um encontro entre a prefeitura e a base aliada na última sexta-feira (12), para a apresentação das metas para os próximos anos, o vereador José Trindade (PSL) reclamou da posição do gestor municipal, ACM Neto (DEM), em relação à Câmara Municipal. Segundo ele, os legisladores têm sido ignorados em discussões relativas à definição do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) e da Legislação de Ordenamento do Uso e Ocupação do Solo (Louos). “Tudo está sendo negociando diretamente com o Ministério Público e os vereadores ficam a margem do processo”, afirmou. Além disso, Trindade acusa a prefeitura de dar pouca importância aos vereadores nas abordagens sobre a nova modelagem da licitação para concessão do transporte coletivo de Salvador, assunto para o qual a Câmara possui uma comissão específica. “Temos que ser parceiros do executivo, ter ações harmônicas e integradas, mas não podemos ser submissos”, argumentou. Ainda de acordo com o edil, os líderes do governo na Casa são “possuidores de patentes abaixo da dos garçons”, já que nem mesmo anotariam as demandas. 
 

Até aí, na reunião, o prefeito fazia ouvido de mercador, segundo conta Trindade. "Quando foram citadas as declarações e ações infelizes ou inoportunas dadas ao longo dos primeiros seis meses de mandato, como a existência de supostas máfias, esqueletos, proibição de estacionamento na Avenida Vasco da Gama e denúncias de que uma empresa construtora teria recebido, em duplicidade, R$ 60 milhões, e que nada disto foi provado ou até mesmo foram fatos desditos ou desfeitos, o que acaba levando a prefeitura ao descrédito, ai o prefeito foi acordando", relatou. A insatisfação demonstrada no atendimento por parte dos secretários e diretores de empresas também foi pontuada por Trindade, assim como o caso do suposto candidato a deputado atendido dentro do Palácio Thomé de Souza.  O vereador saiu em defesa do colega Geraldo Jr. (PTN), no episodio que envolveu o chefe de gabinete do prefeito, João Roma. Depois que Trindade classificou Roma como ”insignificante, arrogante e prepotente”, o prefeito interviu em defesa do seu auxiliar, interrompendo a discussão, sobre a alegação que o tempo já tinha sido esgotado. Mesmo sem o microfone o vereador argumentou que a agressão sofrida por Geraldo era um desrespeito a toda Casa Legislativa, e que o chefe de gabinete prestava um deserviço ao prefeito.  Apesar de minimizar o episodio, Trindade ressaltou: “o sistema democrático no país ainda é muito recente e algumas pessoas entendem que ser contraditório é ser adversário. Sou da base aliada, mas não sou subserviente ao governo, prefiro ser claro e externar minhas opiniões, a ficar calado, demonstrar satisfação, e agir de forma contrária. Entendo que posso contribuir muito mais com o governo sendo autentico nas colocações”. 

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