Professores têm até o dia 28 para aderir 'Alfa e Beto', mas pedem adiamento
O Programa Alfa e Beto, voltado para a alfabetização dos alunos da Rede Municipal de Ensino de Salvador, foi duramente criticado por educadores, na manhã desta segunda-feira (25), durante audiência pública que discutiu a situação da educação na capital baiana. No debate, organizado pela Comissão de Educação do Legislativo soteropolitano, especialistas no assunto assinalaram que o modelo está “defasado” e os R$ 12,3 milhões investidos, com dispensa de licitação, poderiam ser aplicados em outras demandas, como na infraestrutura das escolas da cidade. No encontro, o chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Educação, Eliezer Cruz, que representou o secretário João Carlos Bacelar, informou que as unidadedes educacionais têm até o próximo dia 28 para informar se adotarão ou não o Alfa e Beto. Durante o evento, o presidente do colegiado, vereador Sílvio Humberto (PSB), sugeriu que a data fosse prorrogada em atendimento aos apelos dos educadores, que vêem o Alfa e Beto como “retrocesso na educação”. Segundo informou a assessoria da Câmara, ao falar sobre a educação em Salvador, o professor Eliezer Cruz reconheceu dificuldades da pasta por conta da carência de recursos municipais, a precariedade das estruturas das escolas e falta de professores. O dirigente informou ainda que os docentes, merendeiras e coordenadores têm sido chamados para recompor o quadro funcional. Para a coordenadora do Departamento de Educação, Campus I, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Valquíria Machado, o Plano Nacional do Livro Didático é melhor do que o Alfa e Beto. "Estou chocada e ofendida. Eu quero saber quem aprovou este programa, um absurdo em pleno século 21”, condenou. Especialista em educação, o professor Walter Takemoto, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), relatou que o Alfa e Beto vem sendo discutido desde 2002 e, em 2003, foi lançado pelo então governador Antonio Carlos Magalhães no programa educacional do PFL. Na sua avaliação, “é um absurdo a sua implantação”. Ao contestar Eliezer Cruz, Takemoto assinalou que o programa Alfa e Beto foi comprado antes da posse do prefeito ACM Neto (DEM).
