Advogado-geral da União se diz vítima de fogo amigo do PT
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, debilitado politicamente após a eclosão da Operação Porto Seguro, se diz vítima de "fogo amigo". Ele é citado em conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) e afirma a aliados que está na mira de setores petistas desde que seu nome foi cogitado para a Casa Civil. Para colaboradores mais próximos, uma fatia do PT, parte dela de dentro do próprio governo, estaria a estimular a exposição de seu nome não só para fragilizá-lo no Palácio do Planalto, mas também para lançar uma cortina de fumaça sobre o real objeto da investigação: o esquema de compras de pareceres nas agências reguladoras. Além da perspectiva de poder na Esplanada, Adams teria, ainda segundo interlocutores, ganhado desafetos no mundo sindical após enfrentar os líderes grevistas da PF, que hoje conduz as investigações. Na opinião de seus apoiadores, a tentativa de envolvimento da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no esquema reforça sua tese. Indicada pela presidente Dilma Rousseff (PT), Izabella foi acusada pelo ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) e pivô do escândalo, Paulo Vieira, de participação no esquema. Nesta segunda (17), Adams se reuniu com Dilma. No Planalto, a avaliação é de que o ministro sofreu escoriações no processo, mas não caiu em desgraça.
