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JH avalia ataques de candidatos como ‘covardia política’, critica promessas ‘incumpríveis’ e clama: ‘A César o que é de César; a João o que é de João’

Por Evilásio Júnior

Foto: Tiago Melo / Bahia Notícias
O prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PP), em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, avaliou os ataques dos candidatos à sua sucessão como “covardia política”. Ele disse que não tem acompanhado os debates na TV, mas tem sido comunicado das frequentes investidas contra a sua gestão pelos seus secretários. De acordo com o pepista, a cidade enfrenta problemas crônicos herdados de quatro séculos e meio que “ninguém vai resolver em quatro, em oito ou doze anos”. Segundo JH, para piorar o cenário, novas dificuldades somaram-se às antigas. Entre elas, a maior densidade demográfica brasileira – 11 mil pessoas por km² –, o maior crescimento populacional do país – com 50 mil novos moradores por ano –, os 820 mil carros que circulam diariamente – o dobro do que havia oito anos atrás –, a desigualdade social, o aumento da violência – inclusive com migração do crime organizado do Rio de Janeiro e de São Paulo –, o êxodo rural – por conta da seca – e o recebimento constante de doentes de municípios do interior. Tudo isso aliado à pior arrecadação entre as 26 capitais do Brasil embora, conforme João, a Fazenda soteropolitana tivesse obtido o terceiro maior crescimento de receita própria dos últimos anos. “Dentro desse cenário, tem que se buscar fazer o melhor. Eu tenho visto por aí promessas que, com certeza, criando um termo novo que não existe no vocabulário português, são incumpríveis. Você tem a superpopulação e uma receita que mal dá para manter e conservar a cidade. Então, como fazer ainda novos investimentos?”, indagou o alcaide, ao pontuar o contingenciamento “bilionário” de verbas dos governos federal e estadual como fatores agravantes. “De onde vai sair o dinheiro para o cumprimento de determinadas promessas que eu tenho visto serem feitas por vários candidatos a prefeito? Eu acho que um pouco mais de conhecimento da realidade financeira do Município seria necessário para quem é candidato a prefeito”, sentenciou.

Sobre o embate político, ele negou as insinuações de que estaria a ajudar a campanha do prefeiturável ACM Neto (DEM) e prometeu: “nós estamos neutros e vamos até o fim [das eleições] neutros”. O prefeito avaliou as especulações como fruto do apoio que ele recebeu do Democratas no segundo turno de 2008, que o levou à vitória. Reeleito, “convidou pessoalmente” alguns quadros do partido, a exemplo dos ex-assessores especiais Léo Prates e Tânia Simões – ex-auxiliar do ex-governador Paulo Souto na requalificação do Pelourinho – e do ex-presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Cláudio Tinoco. “Na verdade, o DEM não indicou ninguém. Eu quis convidar e convidei”, descartou. Apesar do gesto de reconhecimento, JH não considerou como “ingratidão” a declaração de Neto no debate da TV Aratu desta terça-feira (2), de que, se eleito, recomendará aos possíveis vereadores do seu partido que votem pela rejeição das suas contas, caso a apreciação venha ser realizada pela nova composição da Câmara Municipal.

Em seu entendimento, não só o postulante do DEM, mas Da Luz (PRTB), Márcio Marinho (PRB), Mário Kertész (PMDB) e Nelson Pelegrino (PT), assim como as suas respectivas legendas, têm receio de que ele venha a disputar o governo do Estado em 2014. “O fato é que, em todas as eleições, a gente começa em último lugar e termina em primeiro. Isso é medo do futuro, de um modo geral. Essas críticas assim unânimes de todos os partidos que participaram, e muito, das minhas duas gestões... Na primeira eleição, eu venci a direita com o apoio da esquerda. Na segunda eleição, eu venci a esquerda com o apoio da direita. Para falar a verdade, com a exceção do PSOL [de Hamilton Assis], todos participaram da gestão e agora não querem nem reconhecer as coisas boas que fizemos juntos”, enfatizou. João também disse não ser verídica a denúncia – originada no Jornal da Metrópole, da família Kertész – de que a Secretaria Municipal de Educação, dirigida pelo presidente estadual do PTN, João Carlos Bacelar, teria se transformado em um comitê em prol das candidaturas das siglas coligadas. “Não é verdade. Inclusive, há fiscalização do Tribunal de Contas da União – porque ali trabalha muito com o Fundeb, portanto com verbas federais –, do TCM [Tribunal de Contas dos Municípios] e do Ministério Público. Temos muitos órgãos de controle hoje. Seria uma inconsequência você usar uma estrutura de governo para fazer campanha política, sobretudo no momento em que o prefeito ficou neutro. Se o prefeito ficou neutro, como a máquina vai se comprometer com este ou aquele candidato, correndo riscos desnecessários?”, questionou.

Mesmo com o argumento de Kertész, de que não tem qualquer vínculo com JH, o gestor soteropolitano – ex-peemedebista – ponderou. “O partido tem, né? E teve também Transalvador, mas eu não quero polemizar com isso não. Já está acabando o primeiro turno e tem pessoas que não vão nem ao segundo turno. Outra coisa, o PSC até hoje é meu aliado. Está à frente hoje da Previs [Instituto de Previdência de Salvador]. Então, se o secretário da Secult está com ACM Neto, o presidente da Previs apoia o candidato do PMDB. Isso é fruto da nossa neutralidade”, conjeturou, ao salientar que, de todo modo, não conseguiria transferir o seu eleitorado para outro aspirante ao Palácio Thomé de Souza: “O voto é uma coisa muito personalíssima”. O prefeito garantiu ainda que, independentemente do vencedor do pleito de domingo (7) ou do próximo dia 28, fará uma transição de governo tranquila e não deixará dívidas, excesso de lixo e buracos, “como ocorreu em outras gestões”. Outro aspecto polêmico, o índice alarmante de desemprego em Salvador, para João Henrique, foi amenizado com algo ainda mais controverso: o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, que seria um “legado” dos seus oito anos de comando. “Dos 500 mil novos empregos no estado, 200 mil foram da capital. No estado tudo bem, pode ter tido lá 300 mil novos empregos, mas os 200 mil de Salvador não têm como descolar do PDDU. A César o que é de César. A João o que é de João”, poetizou.

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