População considera 'absurdo' aumento na tarifa de ônibus em Salvador
Por Aparecido Silva
O valor da passagem de ônibus na capital baiana a partir da zero hora de segunda (4) passará de R$ 2,50 para R$ 2,80. O aumento anunciado pelo secretário de Transportes e Infraestrutura de Salvador (Setin), José Mattos, nesta sexta-feira (1) não atende ao pedido do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setps), que apresentou a planilha de custo para solicitar um reajuste para R$ 3,15. No entanto, o preço fixado em R$ 2,80 foi suficiente para deixar parte da população indignada. Quando perguntado sobre o que achava do incremento, o administrador de empresas Sisnando Sena, 34 anos, responde rápido: “Absurdo!”. “O transporte é um caos, ônibus cheios às 7 horas da manhã, com portas abertas. Pela tarde, a mesma coisa para voltar pra casa”, criticou. O bancário, André Luiz, 31, soube do aumento por meio da reportagem do Bahia Notícias e relacionou a greve dos rodoviários com o pedido do Setps. “Tem o reajuste no salário dos motoristas e quem paga é o passageiro”, questiona Luiz, que ainda aponta os serviços como de "má qualidade". Segundo o Setps, a soma do reajuste salarial e benefícios dos rodoviários causa um impacto da ordem de R$ 5,9 milhões mensais, o que impulsionou a solicitação de elevação no preço. “É meter a mão no bolso da gente”, dispara o churrasqueiro, Braz Ubiratan, 47, que considera “caríssimo” o valor da tarifa: "Não adianta aumentar o rendimento do motorista e depois descontar no passageiro”. O reajuste oferecido pela Setin pegou a professora Sílvia Sílvia, 38, de surpresa. “Todo dia é ônibus cheio, viajando em pé, não tem condições”, argumenta a educadora, que alega pegar três coletivos diariamente. Como todas as pessoas ouvidas pelo BN, a administradora Andrea Vieira, 34, contesta os serviços de transporte coletivo. “A qualidade é péssima, a gente encontra até baratas dentro dos veículos. A quantidade de veículos é ínfima, não condiz com o serviço prestado”, opinou. Para Wiliam Barbosa, 18, auxiliar de escritório e usuário da linha Sussuarana-Iguatemi, o novo custo não está em sintonia com os ônibus “cheios e sucateados". "R$ 2,80 não correspondem com a qualidade. Ameaçaram com R$ 3,15, agora acham que amenizam com essa taxa. Eu discordo”, condenou.
