'É injusto dizer que o pleito de alguém é injusto', diz Carballal sobre pedido de aumento da tarifa de ônibus
Por Rodrigo Aguiar
Em contato com o Bahia Notícias, o líder do PT na Câmara Municipal de Salvador, Henrique Carballal, explicou que a vereadora Aladilce (PCdoB) não lhe pediu para assinar o ofício que solicita ao prefeito o cumprimento do artigo 244 da Lei Orgânica do Município (LOM), que diz que “fica o Poder Executivo obrigado a encaminhar à Câmara Municipal a planilha de custos antes de decretar qualquer aumento de tarifa”. Em meio à discussão sobre o possível reajuste no preço da passagem de ônibus, a comunista quer que João Henrique apresente à Casa Legislativa a planilha de custos formulada pelo Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador (Setps) e a análise técnica feita pela Secretaria de Transporte e Infraestrutura (Setin). “Ela não me pediu para assinar nada. Eu nem sabia desse documento e também não assinaria algo que pede ao prefeito para respeitar a Lei Orgânica do Município. Seria inócuo, sem sentido”, afirmou o vereador. Segundo Carballal, ele e Aladilce não se falam desde que ela contestou o seu papel na época em que exercia o cargo de líder da bancada oposicionista. O edil lembrou que, de forma geral, ninguém é favorável a aumentos de qualquer tipo – “do leite, da cerveja, do feijão” – mas criticou o fato de a discussão sobre o sistema de transporte soteropolitano se restringir aos períodos de aumento da tarifa. “Além da discussão de tarifa, temos que debater também a explosão de clandestinos, a questão do metrô e as fraudes no sistema”, argumentou. Questionado se achava justa a reivindicação dos donos das empresas de ônibus, Carballal desviou. “Eu não posso, como vereador, discutir se é justo o pleito de uma categoria. É injusto eu dizer que o pleito de alguém é injusto”, disse. O petista rebateu ainda o argumento de que o reajuste na tarifa de ônibus atinge o trabalhador. “Isso não atinge diretamente o trabalhador que recebe vale-transporte. Recai sobre os estudantes e pessoas que estão desempregadas”, acrescentou. Amigo do empresário do ramo de transportes José Augusto, Carballal já negou em algumas ocasiões que a sua relação pessoal tenha qualquer influência sobre a sua atuação política.
