Discussão sobre reajuste de tarifa de ônibus divide Câmara
Por Rodrigo Aguiar
A possibilidade de aumento da tarifa de ônibus em Salvador dominou o debate na tarde desta quarta-feira (30) na Câmara Municipal. Enquanto os vereadores da bancada de oposição se manifestaram em sua maioria terminantemente contrários ao reajuste reivindicado pelos donos das empresas de ônibus, os demais edis se mostraram mais flexíveis e lembraram da necessidade de se examinar as planilhas de custos do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Salvador (Setps). “Desde que se abram as planilhas e se justifique a necessidade do aumento, não tem problema. Mas eu sou contrário aos R$ 3,15”, ponderou Paulo Câmara (PSDB). O vice-líder da maioria, Geraldo Júnior (PTN), seguiu a mesma linha. “Sou favorável se for comprovada a defasagem, com dados analíticos. Mas não os R$ 3,15 que pediram”, explicou. O peemedebista Sandoval Guimarães ressaltou que o reajuste seria “extremamente prejudicial à população”, mas lembrou que os empresários “tiveram problemas” com a greve dos rodoviários. No final, defendeu um aumento da passagem em torno de R$ 0,20. Contrária ao aumento, a vereadora Aladilce (PCdoB) tentava recolher assinaturas para um ofício a ser encaminhado ao prefeito João Henrique para que ele cumpra o que determina o artigo 244 da Lei Orgânica do Município (LOM). O texto diz que “fica o Poder Executivo obrigado a encaminhar à Câmara Municipal a planilha de custos antes de decretar qualquer aumento de tarifa”. Aladilce pede a apresentação da planilha de custo formulada pelo Setps e a análise técnica da mesma feita pela Secretaria de Transporte e Infraestrutura. Em resposta ao líder governista Téo Senna (PTC) – que argumentou não ter partido da prefeitura os planos de reajuste da tarifa –, a comunista rebateu: “Foi o empresário que pediu, mas é o prefeito que decreta. Que ele ouça a Câmara ou pelo menos comunique sobre o reajuste”. Apesar de muitos edis destacarem a importância de conhecer os dados das planilhas, até o final da sessão, apenas dez vereadores haviam assinado o ofício: Marta Rodrigues (PT), Vânia Galvão (PT), Andréa Mendonça (PV), Gilmar Santiago (PT), Léo Kret (PR), Paulo Câmara (PSDB), Olívia Santana (PCdoB), Moisés Rocha (PT), Alcindo da Anunciação (PT) e a própria Aladilce. A assinatura do líder do PT na Casa, Henrique Carballal, não constava na lista. Por meio da Comissão de Direitos do Cidadão, presidida pela autora do ofício, foi agendada para a próxima segunda-feira (4), às 9h, no auditório do Edifício Bahia Center, uma audiência pública para debater a tarifa de ônibus na cidade.
