Sandoval desenterra CEI de Neylton às vésperas do julgamento do caso
Aos 44 minutos do segundo tempo da atual legislatura da Câmara Municipal de Salvador – e após o seu partido sair da base do prefeito João Henrique (PP) –, o vereador Sandoval Guimarães (PMDB) decide reviver um tema que constantemente pôs os ânimos da Casa em xeque nos últimos cinco anos. O legislador propôs, mais uma vez, a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar o que provocou a morte do servidor Neylton Souto da Silveira dentro da sede da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em 2007. A sindicância já foi proposta pelo atual líder do governo na Casa, Téo Senna (PTC), que mudou de ideia anos depois. Alcindo da Anunciação (agora PT, então PSL) também foi assíduo defensor da medida, e chegou a coletar as 21 assinaturas necessárias para implantá-la, mas medidas regimentais derrubaram a instalação de CEI. O petista ainda cobra da Justiça uma resposta para a recusa do presidente da Câmara, Pedro Godinho (PMDB), em implantar o colegiado.

Alcindo (agora PT) foi um assíduo defensor da instalação do colegiado
A declaração de Sandoval, feita em plenário nesta terça-feira (8), antecede o julgamento dos dois ex-vigilantes da pasta municipal, que respondem pela execução do crime. Josemar dos Santos e Jair Barbosa da Conceição serão submetidos a júri popular, no dia 17, às 8h, no Fórum Ruy Barbosa. À época, a ex-subsecretária Aglaé Amaral Souza e a consultora Tânia Maria Pimentel Pedrosa chegaram a ser indiciadas como mandantes do crime, mas foram excluídas do processo por falta de provas. Não se sabe a motivação do crime, mas cogita-se que Neylton conhecia um esquema de desvio de recursos públicos na SMS. A CEI proposta por Alcindo investigaria a pasta desde a gestão de Antônio Imbassahy (então PFL, atual PSDB) na prefeitura de Salvador, quando Aldely Rocha era a secretária, até os dias atuais.
