Grupo de Cachoeira negociou emendas parlamentares ao Orçamento
A influência do contraventor Carlinhos Cachoeira com parlamentares era tamanha que se estendia até mesmo ao Orçamento-Geral da União, apontam conversas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Vegas. Segundo as investigações, o bicheiro utilizava sua relação próxima com congressistas para negociar e liberar emendas parlamentares de interesse do grupo criminoso comandado por ele. De acordo com o Estado de S. Paulo, que teve acesso aos diálogos, a negociação de emendas ao Orçamento de 2009 entre membros da organização de Cachoeira é detalhada. Entregue na última semana ao presidente da CPI, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), o material da Operação Vegas será o ponto inicial dos trabalhos da comissão instaurada para investigar a rede de relações do empresário, acusado de comandar um esquema de jogos ilegais. Um dos exemplos de áudio mencionados pelo Estadão é relativo ao dia 9 de outubro de 2008, no qual Cachoeira conversa com o ex-vereador de Goiânia, Wladimir Garcez, para cobrar notícias da visita de integrantes do seu grupo a aliados de Brasília. “E o nosso amigo?”, questiona o contraventor. “Objetivo, rápido e 100% nosso”, responde Garcez, que diz ainda ter passado nos gabinetes dos deputados federais Roberto Balestra (PP-GO) e Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). “Ligamos para ele (Leréia) e a Zezé (assessora do parlamentar) nos atendeu. A Zezé veio falar em emenda lá de 400, 500 conto. Tem que ser, no mínimo, um milhão”, acrescenta o ex-vereador.
