Dois anos após derrubada das barracas, projeto para orla de Salvador não foi implantado
No dia que marca os 463 anos da fundação da cidade de Salvador, um dos graves problemas que podem ser observados na capital baiana é a falta de qualificação da orla, como aponta reportagem do jornal A Tarde desta quinta-feira (29). Quase dois anos depois da derrubada das barracas de praia, a prefeitura ainda não apresentou nenhum plano desde 2010, quando a Justiça rejeitou uma proposta encaminhada pela administração municipal. A decisão do juiz federal Carlos D'Ávila, da 13ª Vara Federal, foi baseada em uma análise feita por uma comissão de notáveis – formada por especialistas de diversas áreas, entre elas, arquitetura, meio ambiente, urbanismo, biologia marinha e antropologia – que apontou falhas no projeto de revitalização da orla. Responsáveis pela concepção das propostas, o secretário de Habitação e Meio Ambiente, Paulo Damasceno, e o presidente da Fundação Mário Leal Ferreira, Luiz Baqueiro, alegam que não tiveram acesso ao laudo do grupo. “Não tivemos acesso ao parecer técnico. O juiz diz que disponibilizou, mas a Procuradoria Geral do Município (PGM) diz que não teve acesso. É impossível fazer uma nova proposta sem conhecer o parecer”, afirmou Baqueiro. Já a Procuradoria informou, por meio da assessoria de imprensa, que não sabia da existência da comissão de notáveis e do relatório elaborado. Em 2010, a prefeitura chegou a criar um estudo preliminar sobre a revitalização da orla, o masterplan Salvador: capital mundial. “Não se tornou um projeto executivo porque aguardamos uma posição efetiva do que pode ser feito na orla. A quantidade de barracas permitidas, que tipo de equipamento e como eles serão utilizados, por exemplo. Não podemos desenvolver um projeto que não vai ser aprovado”, disse Damasceno.
