Incra defende que houve avanços na reforma agrária; MST contesta
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) divulgou um relatório sobre suas atividades em 2011 no qual ressalta a concentração de esforços para consolidar e qualificar os assentamentos que já existem no Brasil. O documento sustenta que, ano passado, 20,6 mil famílias foram alocadas em 116 novos assentamentos, em uma área de 2,5 milhões de hectares. Com isso, a área destinada a projetos de reforma agrária no país atingiu 87,5 milhões de hectares, distribuídos por 2.081 municípios. O total de famílias assentadas passou para 930,5 mil. O Incra também ressalta que a vistoria foi aumentada. Os dados oficiais dizem que, em 2011, os técnicos investigaram 27,6 mil lotes e excluiu 103,5 mil beneficiários por detectar irregularidades. Do total, 36,5 mil haviam negociado ilegalmente as terras ou as benfeitorias recebidas do governo. Apesar de defender que houve avanços na ampliação da rede de assistência técnica e do crédito para a instalação das famílias nos lotes, o Movimento dos Sem Terra (MST) contestou o relatório. A coordenação nacional do MST não concordou com os números do Incra. Em nota oficial, a organização defendeu que, em vez de 20,6 mil famílias, o instituto só teria assentado 5,7 mil. A polêmica é oriunda de uma diferença de critérios para as medições. Ao contabilizar as famílias assentadas, o MST só inclui as que vão para novos assentamentos. Não conta casos de famílias chamadas para reocupar lotes vazios.
