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Egito: Junta militar admite fazer referendo por saída imediata

A junta militar que governa o Egito há nove meses anunciou nesta terça-feira (22) que pretende realizar as eleições em junho de 2012, mas pode consultar a população através de um referendo para decidir se as Forças Armadas devem deixar o poder. Antes, a junta militar havia marcado as eleições presidenciais para o fim de 2012 ou o início de 2013. Mais de 100 mil manifestantes ocuparam nesta terça-feira (22) a Praça Tahrir, no centro do Cairo, em mais um dia de confronto com os militares. "O Exército não quer o poder e coloca os interesses do povo acima de qualquer consideração. Ele está preparado para transmitir as responsabilidades imediatamente, se o povo assim desejar, por meio de um referendo popular", anunciou, em um discurso na TV, o chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, Field Marshal Hussein Tantawi. "Nossa única lealdade é com a população e a terra do Egito", disse. Em artigo publicado no jornal "Independent", Nada Al-Gammal, 29, é funcionária de uma ONG egípcia, relatou que a situação no país piorou após a queda de Hosni Mubarak. "Se houve algo, as coisas ficaram piores — Hosni Mubarak não era nada comparado à junta militar. Pessoas têm sido submetidas a cortes marciais, pessoas têm sido torturadas. Uns meses atrás houve a notícia de que estavam perpetrando teste de virgindade em mulheres. Às pessoas não são dados quaisquer direitos, educação e sistema de saúde são terríveis".

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