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Aluno denunciado por racismo diz que recusou prova de professora por “questão de religião”

Foto: Leitor BN / WhatsApp

Na manhã desta quinta-feira (12), em depoimento na Central de Flagrantes em Salvador, Danilo Araújo de Góis, o estudante denunciado por racismo no campus da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), em Cachoeira, disse aos policiais que recusou pegar a prova nas mãos da professora por “questão de religião”.

 

“Ele se predispôs a ser ouvido e, na verdade, ele negou ter praticado a atitude racista e disse que não passou de um mal-entendido, porque ele é uma pessoa sensitiva, ele tem algumas questões particulares em relação a religião dele, que ele lê muito a Bíblia, lê muito cânticos e tem uma hipersensibilidade”, disse o delegado João Mateus, em entrevista ao portal G1.

 

“Ele disse que se sente mal se aproximando de qualquer pessoa, então evita entrar em contato e pegar coisas das mãos de quem ele não conhece e tocar em pessoas que ele não conhece, porque ele se sente mal muitas vezes quando faz isso”, concluiu o delegado.

 

Relembre o caso

 

O fato aconteceu na última segunda-feira (09) e viralizou na internet por vídeos gravados por alunos da disciplina (veja aqui). As imagens mostram a professora Isabel Cristina Ferreira dos Reis entregando uma avaliação a Danilo e ele se recusando a pegar no papel. Após manifestações dos colegas, a coordenadora foi chamada à sala e convidou o aluno, que tentou a se retirar.

 

Na última terça-feira (10), um estudante tentou invadir o quarto de Danilo com um pedaço de madeira na mão, dizendo “venha, que você vai ver com quantos paus se mata um racista”, em represália às atitudes racistas do colega. O fato foi comentado por Isabel, que disse não apoiar o ato. “O racista e homofóbico é ele [Danilo]. Nós somos vítimas e não vamos virar réus”, declarou.

 

Na quarta-feira (11), Isabel revelou que não foi a primeira vez que Danilo Góis incorreu em racismo nas dependências da universidade. Segundo ela, em outra oportunidade, o aluno disse que negros eram preguiçosos e fediam (veja aqui). No mesmo dia, a UFRB se posicionou sobre o caso, repudiando a conduta de Danilo e declarando que o respeito às diferenças é fundamental à formação dos alunos, se solidarizando com a professora Isabel e com os estudantes ofendidos (veja aqui).

 

Segundo informações da assessoria da universidade, Danilo tentou entrar na UFRB através de cotas raciais, no semestre 2018.2, mas não obteve sucesso.

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