Compositores brasileiros entram na Justiça contra Shakira por plágio de música gravada por Léo Santana
Por Bianca Andrade
Às vésperas do Carnaval de Salvador, uma “agonia” longe da folia chama a atenção na Justiça envolvendo a cantora colombiana Shakira e a cantora e compositora baiana Luana Matos, junto a Ruan Prado, Patrick Graue, Calizto Afiune e Rodrigo Lisboa.
Enquanto uma parte do grupo está em festa por ver suas canções interpretadas por grandes nomes da música baiana nos circuitos do Carnaval e Brasil afora, a outra busca justiça em uma acusação de plágio contra a intérprete de ‘Waka Waka’ na faixa ‘Shakira: BZRP Music Sessions, vol 54’.
A acusação, que se tornou pública em 2025, ganhou um novo tom com a ação movida contra a Sony e Shakira por violação de direitos autorais, reivindicação de coautoria e indenização por danos morais e materiais, que foi distribuída no dia 10 de janeiro de 2026 na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
A canção que teria sido plagiada, como revelada em 2025, foi a ‘Tu Tu Tu’, gravada por Mariana Fagundes e Léo Santana em 2020.
O Bahia Notícias teve acesso à petição inicial, na qual os advogados do grupo apresentam evidências técnicas do suposto plágio, como: centralidade do refrão e dos precedentes de plágio musical; elementos musicais e poéticos da obra originária a exemplo dos motivos melódicos idênticos ou substancialmente similares.
O valor atribuído à causa dos compositores brasileiros na petição é de R$ 100 mil, quantia que corresponde ao somatório das indenizações por danos morais pretendidas e serve para fins fiscais.
Inicialmente, um representante da Sony Music Publishing chegou a reconhecer a ocorrência de plágio em conversas telefônicas, admitindo que o refrão de Shakira teria sido "derivado" do brasileiro, e até teria proposto um acordo financeiro e de coautoria. No entanto, a matriz em Nova York ordenou o recuo imediato dessas tratativas ainda em 2025.
A defesa dos compositores também solicita perícia multidisciplinar em Direito Autoral multimodal, por junta de peritos, desdobrada em quatro núcleos periciais complementares:
A) Perícia Musicológica Comparativa (Melodia e Harmonia)
B) Perícia Perceptiva Comparativa de Recepção Musical e Audiovisual
C) Perícia Literomusical / Linguística Poética (Discurso Poético), de natureza híbrida
D) Perícia Audiovisual Comparativa (Videoclipes), de natureza técnica audiovisual
O valor pedido pelos cinco autores é de R$ 20 mil para cada. "O valor postulado não visa enriquecimento indevido, mas tão somente o reconhecimento jurídico da ofensa moral autoral, permanecendo os danos materiais como núcleo indenizatório principal da presente demanda", afirma a defesa.
Outro pedido a atribuição imediata da coautoria da obra nos créditos autorais oficiais; nos registros fonográficos e editoriais; nos meta dados de plataformas digitais e de streaming; junto às entidades de gestão coletiva, nacionais e estrangeiras.
Pedem também a retificação integral da autoria da obra infratora em todos os meios em que tenha sido publicada ou explorada, e que ela não seja econômica ou artisticamente sem a prévia, expressa e formal autorização dos Autores.
A defesa de Shakira e dos demais réus do processo se manifestou formalmente através de uma contranotificação extrajudicial, na qual nega qualquer ocorrência de plágio.
Ao rebater a acusação, a equipe da artista sustenta que as semelhanças apontadas são, na verdade, meras coincidências decorrentes da utilização de elementos comuns e "clichês" da linguagem musical.
Alegam ainda falta de originalidade e que outras canções poderiam ter servido de inspiração para a faixa, além de afirmarem que não tiveram contato ou acesso à obra original brasileira ("Tu Tu Tu") antes da criação da música de Shakira.
