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“Pessoas achavam que eu nunca mais voltaria”, revela Othon Bastos sobre retorno à cidade natal na Bahia

Por Laiane Apresentação

Foto: Divulgação/ @jamesclickphoto

Aproximadamente 31.777 dias, equivalente a 87 anos, se passaram desde a última vez que Othon Bastos esteve em Tucano, no nordeste baiano, a 268 km de distância de Salvador. Foi no município baiano que o ator de 92 anos, que se tornou um dos mais importantes da dramaturgia brasileira, passou os primeiros anos de vida. 

 

O artista se apresenta neste domingo (30), às 19h, na Praça Matriz de Tucano, o monólogo “Não Me Entrego, Não”, escrito e dirigido por Flávio Marinho. O espetáculo está em cartaz desde junho de 2024 e marcará o retorno tão aguardado do “filho pródigo” da cidade em meio a uma programação especial em homenagem ao ator. 

 

Com mais de 60 trabalhos na televisão, mais de 90 no cinema e mais de 50 no teatro, o ator já participou de novelas como “Sinhá Moça” (2006), “Além do Tempo” (2015), “Éramos Seis” (2019) e “Cara e Coragem” (2022) e de clássicos como “O Pagador de Promessas” (1962) e “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964). 

 

Ao Bahia Notícias, Othon revela que sua volta à Tucano era um desejo antigo que ele demorou muito para realizar. “Eu sei que pessoas achavam que eu nunca mais voltaria porque me tornei famoso”, conta. 

 

Contudo, Othon explicou que não foi a fama que o impediu de voltar, mas sim as dificuldades. “Cheguei a ir a Salvador várias vezes, mas nunca consegui ir a Tucano”, confessa. 

 

O ator saiu de Tucano aos 6 anos, em meio a um momento de tristeza, em direção a Salvador e, posteriormente, ao Rio de Janeiro. “Foi um momento em que fui perdendo as pessoas e fui perdendo tudo e perdi, inclusive, o lar”, compartilha. 

 

No entanto, apesar da separação precoce, a cidade interiorana sempre esteve dentro de si. “Tucano é o lugar onde eu nasci. Tucano é a minha terra. O meu berço é Tucano”, reforça. 

 

O retorno com o monólogo, que é um emaranhado de memórias e vivências do próprio ator, é, para Othon, a chance de se mostrar para cidade. “É um momento sempre que eu falo com muito humor, com muita alegria, de tudo porque passei e por tudo que será adiante da minha vida. É com muita alegria. Eu não carrego tristezas”, garante.

 

Apesar das diferenças nos palcos que passou durante sua carreira, o momento em Tucano carregará a mesma emoção dos outros. “Não é a exibição, é você estar presente com alma, é a tua alma. O ator é um navegante que navega em direção a sua própria alma. Então, eu estou navegando agora nesse momento em direção a Tucano, é a minha alma que está lá”, declara. 

 

PROGRAMAÇÃO E HOMENAGEM
A volta do ator ocorreu na última quarta-feira (26), com direito a banho nas águas termais de Caldas do Jorro, e as homenagens ao artista começaram no último dia 24 de novembro. Desde segunda até esta sexta cinco filmes foram exibidos em duas sessões diárias no auditório do Colégio Estadual de Tempo Integral de Tucan (CETIT). 

 

Ao BN, Othon conta que as exibições são o primeiro contato dessa nova geração com seu trabalho e é a oportunidade deles verem “o caminhar” da vida do artista. “Meu objetivo tá sendo realizado. Era voltar a Tucano e dizer ‘Olha, o filho daqui fez isso, trabalhou nisso e continuará trabalhando’”, conta.

 

O artista também receberá da cidade, a Medalha Padre José Gumercindo, a maior honraria de Tucano. Othon acrescenta ainda que a homenagem será “maior ainda do que poderia supor”. 

 

Para finalizar, Othon conta ainda que, se tivesse a chance de encontrar com sua versão mirim - aquela existente antes de sair de Tucano - pediria para que eles se encontrassem na praça da cidade. “Eu diria: ‘Olha, guri, menino, eu vou voltar a Tucano e eu quero te encontrar lá. Eu quero conversar com você lá na praça. Você vai me orientar e vai me dizer o que eu devo ver e o que aonde eu devo ir’”.