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Coluna

Blog do Marrom: Mariene de Castro acusa intolerância religiosa após padre proibir tradicional lavagem nas escadarias da Igreja de La Madeleine, em Paris

Por Osmar Marrom

Foto: Reprodução / Redes Sociais

A tradicional Lavagem de La Madeleine, evento de cultura afro-brasileira que integra o calendário oficial de Paris, foi marcada por um veto polêmico em sua 25ª edição. Segundo a organização do evento, o pároco local, monsenhor Patrick Chauvet, proibiu a realização do ritual de lavagem das escadarias da Igreja de La Madeleine. O ato, que dá nome à festa e ocorre há mais de duas décadas, precisou ser adaptado e realizado em praça pública neste ano.

 

A cantora baiana Mariene de Castro, atração principal da edição que tomou as ruas no dia 13 de setembro, manifestou-se de forma contundente. Do alto do carro de som e diante de uma multidão vestida de branco, a artista acusou o veto da paróquia de ser um claro ato de "intolerância religiosa".

 

Em um discurso em cima do trio, Mariene destacou a contradição da medida em um evento focado na união e na fé: "A gente estar aqui pra fazer honras e glórias à Madalena, à igreja, numa festa onde representa o símbolo do Senhor do Bonfim. O símbolo é Jesus Cristo e nós estamos aqui de branco para honrar a paz", declarou a cantora.

 

Para a artista, a restrição às baianas e ao ritual ataca a essência do encontro cultural. "E isso não é uma atitude de paz. Então, nós estamos diante de um ato de intolerância religiosa. É preciso que isso seja grifado em negrito, em caixa alta, porque nós não toleraremos", cravou, sob aplausos do público presente.

 

LAVAGEM DE LA MADELEINE

Criada na capital francesa em 2002, a Lavagem de La Madeleine é inspirada na Lavagem do Bonfim, de Salvador. A festa se consolidou como uma grande celebração ecumênica, reunindo referências do catolicismo e das religiões de matriz africana. A importância da celebração é tamanha que, desde 2022, conta com o reconhecimento oficial do Ministério da Cultura francês.

 

Em sua trajetória, o cortejo já arrastou multidões ao som de gigantes da música brasileira, tendo recebido em edições anteriores nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Preta Gil e Olodum. Na edição atual, a programação reuniu mais de 700 artistas.

 

Apesar do impasse e do forte tom de protesto, a organização do evento informou que segue aberta ao diálogo com a Igreja Católica. O veto não impediu a celebração.

 

Confira o momento do protesto de Mariene