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Onde é o furdunço?

Por Luis Ganem

Foto: Marta Galdino | Agecom

“Já é carnaval cidade, acorda pra ver”, diz o trecho da canção que convoca o folião para os seis dias de festa. Mas, falando de carnaval, o que podemos esperar do carnaval de 2014? Devo dizer que sempre gosto de parametrar as minhas opiniões embasado em conversas que tenho vez ou outra com produtores do meio musical e artístico baiano, ou com artistas da terra, sejam eles famosos ou não.
 
Conversar com essa rapaziada determina em parte como anda o termômetro musical e o ânimo dessa turma, com os negócios e ideias ligadas ao meio artístico, dentro e fora do Estado.
 
Mas, voltando ao Carnaval que vai passar, estava me perguntando o que poderia falar, que não fosse trivial e repetitivo e não caísse na mesmice de refletir sobre os trios, suas grandes ou medíocres atrações – sim, porque nem todo trio vai levar uma grande atração – ou falar sobre algum artista conhecido ou de maior relevância nesse ano. Confesso ter ficado perdido até que um tal de “furdunço” apareceu em minha vida e pow! Uma luz se acendeu.
 
Fiquei indagando se seria essa a carta curinga desse carnaval? E diante da resposta positiva dos universitários, perguntei: mas afinal, o que é o 'furdunço'?. O que entendi depois de explicado é que furdunço é o 'tudo misturado', o burburinho de pessoas em um mesmo lugar, a confusão do bem, enfim  é toda alegria e é a primeira resposta para o apelo do folião pipoca, de requerer de volta o espaço perdido na avenida, pela entrada dos trios e blocos com corda. 
 
Se funcionar, a ideia terá sido simplesmente fantástica. Imagine o folião que quer brincar na rua, sem ter que se preocupar com a corda do bloco, ou em ser atropelado pelos imensos carros? Pois a proposta do projeto é essa: democratizar a folia, trazendo de volta às ruas o folião família, os idosos, as crianças, contemplar quem gosta de pular e brincar o carnaval pipoca. E quem não gosta?
 
E tudo isso com um desfile mais que irreverente, um desfile da alegria e cheio de espontaneidade. Bloquinhos – e assim quero chamar – passarão pela avenida (Campo Grande e Barra) mais ou menos como o carnaval de outrora, dando espaço e vez a todo tipo de música e manifestação popular. Do maestro Fred Dantas e sua orquestra, passando por Carlinhos Brown e seu camarote andante, até chegar ao Alavonté de Manno Góes, Durval Lelis, Jonga Cunha e companhia. Isso sem falar das estrelas conhecidas que aderiram a ideia, entrando nos blocos irreverentes como o Besouro Voador, Bonecões em folia, Palhaços do Rio Vermelho, além de novos sons chegando como Baiana System e uma atração internacional que é o STOMP. O furdunço tem tudo pra o grandes destaque da folia.
 
“Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa”
 
Vamos para o furdunço e bom carnaval!
 

Luis Ganem
luisganem@bahianoticias.com.br
Twitter: @luis_ganem