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Você é: chicleteiro ou bandaneiro

Essa semana, eu deveria falar sobre mais um novo artista do cenário musical, dentro de um projeto meu e da Coluna Holofote de buscar novos talentos para a música baiana, independentemente do ritmo que ele tocasse. Mas, instigado por leitores, na minha caixa de e-mail do BN, para falar sobre a saída do cantor Bell Marques da Banda Chiclete com Banana, vou deixar esse novo artista para a semana que vem.
 
Falar da historia do Chiclete é difícil, e não estou aqui para falar da vida pessoal de ninguém – que fique claro. Quero apenas tentar mostrar as interrogações que o fim dessa parceria vai trazer. Por isso, antes de qualquer coisa, fui procurar saber como o mercado estaria se comportando e reagindo a respeito disso tudo, e quais efeitos isso tem trazido para as aparições da banda pelo interior.
 
Bem, dito isso, comecei, nas rodas de produtores que eventualmente frequento, a ouvir  opiniões. Somente para se ter uma ideia, a opinião de um produtor musical está para a música como a classe dos taxistas está para a política. São opiniões que dizem um pouco do termômetro do meio. Por isso, é tão importante ouvir essa rapaziada. Aí, nesses encontros, fiz as minhas perguntas: como fica a música baiana e o Carnaval de Salvador com esse rompimento? Quem vai perder mais com isso, a banda ou Bell?

Rapaz, foi tanta resposta, tanta análise, apareceram tantas variantes que, nossa! Mas, o que entendi, no final, foi que quem mais vai perder com isso infelizmente será o Carnaval de Salvador e a música da Bahia como um todo. Nada que não vá ser curado com o tempo, óbvio. Mas que vai fragilizar muito mais um carnaval e uma música já desgastados pelo tempo e pela velha fórmula, isso vai.

Se pensarmos que, enquanto outros mercados crescem, o nosso vem ano após ano decaindo, bombardeado pela mediocridade de alguns empresários e/ou artistas locais; pela invasão de outros ritmos; pela falta de novos valores, que não têm espaço na grande festa; pelas brigas internas e interesses pessoais, que, quando colocados à luz, beiram a infantilidade e o ego inflado; teremos uma real noção do quanto estamos perdendo com essas e outras dissoluções. 
 
Quando vejo situações como essa, do Chiclete, é que chego à conclusão, mais do que nunca, que não se soube domar o mercado artístico e musical da Bahia, no estilo axé, do momento que ele surgiu à chegada ao sucesso. Fica perceptível que o barco foi o tempo todo levado pela maré e pelo vento, ao bel prazer. E que ninguém, realmente, se preparou para novos caminhos. E, talvez, nem visão disso se teve.
 
Se imaginarmos a música da Bahia como um time de futebol, veremos que nossos “atletas”, com raras exceções, são fominhas de bola, não deixam o campo nem mancando e acham que ser titular o tempo todo, mesmo que parado, é uma forma de marcar terreno. O erro está em muito na conivência de alguns, em não dar espaço para o novo – e, quando isso acontece, é apenas porque um iluminado da "panelinha" assim o quer. Mais do que nunca, renovar é preciso – o quanto antes, diga-se de passagem – para que não nos tornemos escravos de um disco repetido, ou arranhado, como está se tornando o Carnaval de Salvador.
 
O que fica claro com essa ruptura é que existe, de forma implícita e ainda discreta, uma corrida desenfreada pelos contratantes e parceiros do grupo pelo país – que passaram, da noite para o dia, de meros parceiros eventuais a atuais amigos de longas datas. Serão essas pessoas, e somente elas, que dirão quem realmente será o vencedor dessa história – apesar de achar que nela não existe vencedor. Mas, dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo, e como já dizia o velho Highlander (sempre ele), só pode haver um!

E você, é chicleteiro ou bandaneiro?


Luis Ganem
luisganem@bahianoticias.com.br
twitter:@luis_ganem