Pagode hoje e sempre!
Nas minhas analises de fim de ano, coloquei algumas opções de músicas com possibilidade de se tornarem a canção do Carnaval de Salvador, que está chegando. Lógico, tinha feito uma primeira analise, e disse que faria considerações, em mais alguns textos, sobre outras possibilidades, pois, como algumas estrelas ainda não tinha levado ao ar suas músicas, e a coluna tinha um limite, não teria como falar de todo mundo em um texto somente. Lembro inclusive que comentei sobre outros ritmos. como o pagode e o arrocha, e terminei dizendo que falaria sobre em próximas oportunidades.
Mas qual foi a minha surpresa quando percebi, enquanto esperava as músicas do pagode, que, diferentemente de antes, já não existe mais empolgação com as bandas e com o citado ritmo. Foi surpresa para mim verificar que, fora os grupos consolidados como Psirico, Harmonia do samba e Parangolé, as demais bandas deram uma tamanha retroagida no mercado empresarial/comercial (que rege o valor de venda do produto), fato somente antes visto com o reggae baiano dos anos noventa, que surgiu e desapareceu em muito pouco tempo.
Sim, e antes que perguntem o que barafunda tem a ver com furo na bunda, deixa eu responder: tudo! Pois, como disse anteriormente, foi uma péssima surpresa perceber esse detalhe (a retração do pagode), ainda mais quando o ritmo vinha em uma crescente constante. Mas aí fica outra pergunta: como as coisas conseguiram chegar a essa ponto, e como e por que deixaram isso acontecer? Olha, vou fazer uma comparação. Nesses últimos quatro anos, o ritmo axé esteve em baixa no mercado. As melhores expectativas dessa fase ficaram somente em quatro ou cinco grandes produtos, sendo que os demais dividiam o mercado com ritmos novos locais ou vindos de fora, perdendo sempre muito espaço.
Mas se internamente ou implicitamente os empresários e produtores do ritmo se odiavam, publicamente as demonstrações eram e foram justamente ao contrario.
Só pra ter uma ideia, todos os grandes empresários do axé, ao invés de saírem cada um defendendo o seu, se juntaram e demonstraram através de uma entidade de classe, a APA (Associação das Produtoras de Axé), que estavam unidos defendendo o ritmo de quem quer que fosse. Fizeram mais ou menos um concilio – com o perdão da palavra - das produtoras de axé, no qual ficou estabelecido, a grosso modo, que haveria uma defesa velada dos interesses do axé na Bahia, e no Brasil.
Partindo para o pagode, o que vemos hoje? Brigas, confusões envolvendo bandas, artistas e empresários. Um monte de polêmica, amigos que se tornam inimigos, um disse-me-disse sem fim, um tal de sai que o dono do pedaço sou eu, aliado a um monte de picaretas e oportunistas, que só fizeram sugar a laranja e depois jogar o bagaço fora.
Quando se ouviu falar que as produtoras de pagode da Bahia se juntaram para criar uma associação para defender os seus direitos de forma coletiva, ou mesmo um empresário, ou um artista, tentou de forma mais concisa esquecer as diferenças, e se manifestar publicamente, para que todos se unissem?
E para piorar mais ainda um ritmo que veio pra ficar, o apelo comercial e o desejo do lucro fácil acabou criando problemas para o ritmo de toda a ordem, culminando com a tentativa de sua marginalização, pelos poderes públicos, indo de encontro a uma conquista da democracia que é o direito de expressão.
Olha, não sou herói, nem hipócrita, mas que essa joça tem jeito, isso tem. E está tão na cara, tão visível, que chego a ficar desconfiado de que as pessoas que compõem o pagode, querem mesmo é voltar a ser um sub-ritmo. Gente, vamos se juntar, está mais que na hora do pagode se defender de forma profissional. Vou sugerir um nome: APP (Associação das Produtoras de Pagode). Pronto!
O que se precisa agora, é de alguém que tenha coragem. Sim! Coragem de deixar de ser vaidoso, egoísta e bocal, e dar uma passo a frente pra unir o ritmo, o ritmo de Marcio Vitor, Xandy, Léo Santana, Igor Kannário e tantos outros.
E em um trocadilho sem vergonha, vou ali fazer um amorzinho, quebrando no dançation com titio e titia, ou na dança do arrocha!
Luis Ganem
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