Marca Bahia Notícias

Notícia

PT pede a partidos planos para ministérios e estimativa de votos para desenhar governo Lula 4

Por Augusto Tenório / Catia Seabra | Folhapress

Foto: Ricardo Stuckert

O PT iniciou nesta semana conversas com presidentes de partidos políticos visando definir a partilha dos ministérios para o quarto mandato de Lula.
 

Num primeiro momento, segundo relatos, o presidente do PT, Edinho Silva, tem solicitado das demais legendas propostas e estimativa de votos para o governo, dados que embasarão eventuais convites para comando de pastas e outros cargos na máquina federal.
 

Lula delegou a Edinho as primeiras conversas. Até o momento, ele recebeu dirigentes de pelo menos quatro partidos de centro-esquerda, de centro e de direita, alguns dos quais apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial: MDB, PSD, PSB e União Brasil.
 

A ordem é passar a mensagem de página virada da eleição. Segundo interlocutores, não houve conversa direta sobre pastas específicas. A definição dos próximos ministros, apostam presidentes de partidos ouvidos pela reportagem sob reserva, só deve ocorrer a partir do final de novembro.
 

Nesses primeiros diálogos, Edinho tem reforçado aos pares que o governo mudará a forma de construir alianças, reforçando a necessidade de uma relação institucional dos partidos com o Planalto. Agora, Lula quer clareza de quantos votos de fato cada legenda pode entregar no Congresso, principalmente nos temas mais sensíveis para a próxima gestão.
 

Num segundo momento, Lula deve fazer pessoalmente uma análise aprofundada dos indicados dos partidos. O presidente sinalizou que não aceitará indicações apenas pelo viés político —diz querer dos escolhidos pelas siglas aliadas um plano para seus respectivos setores antes de confirmá-los para o comando dos ministérios.
 

Além disso, o PT tem solicitado aos partidos uma espécie de agenda institucional. A sigla pretende ter em mãos quais as propostas e reformas defendidas por cada legenda, visando mapear em quais iniciativas há convergência ou divergência com os possíveis aliados. A ideia é precificar futuros embates com os eventuais aliados.
 

O tom do diálogo tem variado a depender do partido. Aos aliados que estiveram com Lula desde o primeiro turno Edinho tem feito uma conversa "caseira". Há a consulta programática, mas também uma tranquilização de que eles serão contemplados com bons espaços. Fazem parte desse grupo siglas como PSB e PDT, além de Rede e PC do B, federados com o PT.
 

De acordo com o presidente nacional do MDB, o deputado Baleia Rossi (SP), a conversa com Edinho "foi um quebra-gelo", incluindo a pauta econômica. O dirigente destacou pontos do plano do partido para o país, documentados em um manifesto. "A gente torce para o Brasil dar certo. O MDB já tem característica de ajudar em pautas relevantes. Temos tudo para ter uma boa relação", disse.
 

Após a consulta aos presidentes de partidos, Edinho informará a Lula como foram as conversas. A partir daí, o presidente deve assumir as rédeas da reforma ministerial para o próximo governo. A Esplanada conta hoje com 38 ministérios, número que pode aumentar, no mínimo, para 39, com a criação do Ministério da Segurança Pública.
 

No governo Lula 3, os principais partidos de centro (PSD, MDB e União Brasil) tiveram três ministérios cada. As demais siglas do centrão posteriormente foram acomodadas, como o PP e o Republicanos. Apesar disso, divisões internas por vezes deixaram o Planalto na mão, sem contar com os votos da maior parte das bancadas desses partidos.
 

O loteamento da Esplanada é uma das ferramentas usadas pelo Executivo para garantir governabilidade no Congresso. O tema ganha maior importância para Lula a partir de 2027, quando ele contará com uma base de apoio ainda menor tanto de deputados quanto de senadores.
 

No Senado a situação é mais crítica, com chances de o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), assumir o comando da Casa a partir de fevereiro. Dessa forma, a divisão de ministérios e cargos pode também ser feita de maneira a impulsionar as chances de reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) na presidência do Congresso.
 

O PL, principal partido de oposição, terá 29 senadores, além de três parlamentares do Novo, legenda que orbita o bolsonarismo. O presidente do União Brasil, o deputado eleito Antônio Rueda (RJ), tem priorizado a reeleição de Alcolumbre na sua articulação.
 

Apesar de a discussão de nomes ser considerada precipitada pela cúpula do governo, alguns movimentos sinalizados por Lula podem afetar indicações do centro. De acordo com interlocutores, o petista quer o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no Planalto, o que pode significar uma mudança no comando do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços, ocupado por ele.
 

O presidente nacional do PSB, João Campos, deve ser contemplado com algum ministério, possivelmente Ciência e Tecnologia. O PSD de Gilberto Kassab já comunicou ao Planalto seu interesse em manter André de Paula no comando do Ministério da Agricultura e indicar um nome ligado à bancada da sigla na Câmara para o Ministério da Pesca.
 

O futuro do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, é incerto. Filiado ao PSD, ele não conta com o endosso do partido para continuar na pasta. A cúpula da legenda o considera um nome da cota pessoal de Lula, e espera o convite para a legenda ocupar uma outra pasta de relevância. O ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes é citado como ministeriável da sigla.

Compartilhar