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Dólar sobe em dia de disputa pela Ptax, enquanto Bolsa cai com dados do mercado de trabalho e cenário político

Por Júlia Galvão | Folhapress

Foto: Reprodução / Agência Brasil

O dólar está em alta nesta sexta-feira (30), em um pregão marcado pela formação da taxa Ptax de fim de mês e pela divulgação de novos dados do mercado de trabalho brasileiro. Às 11h02, a moeda norte-americana subia 0,67%, cotada a R$ 5,423.
 

No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava 0,43%, aos 168.443 pontos, caminhando para a quinta sessão consecutiva de queda. Os investidores seguem preocupados com a trajetória da dívida pública brasileira após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial.
 

A taxa de desemprego do Brasil ficou em 5,2% no trimestre até setembro, o menor patamar para esse intervalo na série histórica iniciada em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 

O indicador estava em 5,4% nos três meses encerrados em junho, que servem de base de comparação. Os dados integram a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).
 

Para André Valério, economista sênior do Inter, os números vieram em linha com as expectativas e reforçam a trajetória de desaceleração do mercado de trabalho.
 

"Nossa leitura é que vemos um mercado de trabalho muito próximo do pico e com pouco espaço para continuar melhorando. As últimas leituras dos dados de emprego apontam para uma perda de dinamismo, com poucas atividades conseguindo aumentar a população ocupada de maneira consistente, além do comportamento da renda real, que sugere menor poder de barganha dos trabalhadores, sinal de afrouxamento do emprego na margem."
 

O economista afirma que, diante da tendência de desaceleração da atividade e do comportamento recente da curva de juros, espera que o emprego continue perdendo dinamismo, embora ainda permaneça em um patamar robusto.
 

António Ricciardi, economista do Banco Daycoval, também destaca a importância de acompanhar a massa salarial, indicador que ajuda a medir a influência do mercado de trabalho sobre a atividade econômica.
 

"Quando a gente olha para esses dados, eles parecem estar convergindo para aquilo que a gente espera para o final do ano: um crescimento da massa salarial encerrando o ano em torno de 3,8% em termos reais, na comparação anual, e uma desaceleração gradual, mostrando ainda a resiliência do mercado de trabalho, que ainda se mantém aquecido."
 

No mercado de câmbio, a formação da Ptax de fim de mês tende a aumentar a volatilidade. Calculada pelo Banco Central (BC) com base nas cotações do mercado à vista, a taxa serve de referência para a liquidação de contratos futuros e é estabelecida no último dia útil de cada mês.
 

Nas janelas de coleta, investidores podem tentar direcionar a cotação para níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (apostando na alta do dólar) ou vendidas (apostando na queda), o que pode provocar oscilações no mercado.
 

Em dias de disputa pela Ptax, é comum haver maior volatilidade na primeira metade da sessão,
 

Além desse fator técnico, o mercado segue sensível aos desdobramentos da reeleição de Lula no último domingo, que surpreendeu investidores.
 

Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, afirma que a Bolsa brasileira abriu em queda e caminha para a quinta sessão consecutiva de perdas.
 

"A pressão vendedora continua sendo impulsionada pelas incertezas domésticas geradas no cenário pós-eleitoral, com os investidores demonstrando preocupação com a futura política fiscal e aguardando definições concretas sobre a equipe que comandará a economia do país", diz.
 

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, registrava alta de 0,22%.
 

Em Wall Street, os índices operavam em baixa. Às 11h08, o S&P 500 recuava 1,14%, enquanto o Dow Jones caía 2,07%. O Nasdaq tinha queda de 2,07%.
 

Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, afirma que as preocupações com o setor de tecnologia ganharam força após os resultados de empresas como Google e Microsoft.
 

A Microsoft, que divulgou seus números no mesmo período que o Google, chegou a registrar alta nas ações inicialmente, mas encerrou o pregão em queda.
 

Nesta sexta, os resultados da Amazon também pressionaram o setor. Segundo Benati, os números da companhia não atingiram as expectativas do mercado em receita e lucro, apesar do crescimento expressivo da AWS, com projeções de expansão de aproximadamente 40% em 2027 e 2028.
 

"As ações da companhia sofrem forte pressão nesta manhã, principalmente em função do Capex, que segue bastante elevado. Ou seja, a empresa não entregou os resultados esperados pelo mercado e continua realizando investimentos expressivos em infraestrutura", afirma.
 

Além das preocupações com tecnologia, questões geopolíticas também pressionam os mercados. Às 11h10, o petróleo Brent, referência internacional da commodity, subia para US$ 113,62 por barril, alta de 2,55%.
 

"Isso acontece em meio à retomada dos ataques a navios petroleiros no Estreito de Ormuz. Cada vez menos o mercado acredita em uma resolução do conflito no curto prazo", diz Benati.

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