BC só vai atuar no câmbio em caso de disfuncionalidade do mercado, diz Galípolo após alta do dólar
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta terça-feira (27) que a autoridade monetária só vai fazer alguma intervenção no câmbio se identificar disfuncionalidade no mercado.
A declaração foi dada a jornalistas na apresentação do relatório de estabilidade financeira, um dia após o dólar ter registrado a maior alta diária desde janeiro de 1999, no início do regime de câmbio flutuante no país.
No pregão de segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a moeda americana terminou o dia em alta de 8,41%, a R$ 5,409. O mercado financeiro apostava na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Com a forte queda dos ativos brasileiros, a B3 chegou a acionar, pela primeira vez desde março de 2020, o chamado circuit breaker -mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior.
"Quando a gente vir, a gente vai atuar, a gente atua só em casos de disfuncionalidade", afirmou, sem especificar qual tipo de intervenção extraordinária poderia ser aplicada.
O dólar tem recuado nesta terça-feira (27), em um movimento de correção após a forte alta da véspera. Por volta das 11h51, a moeda americana caía 0,87%, a R$ 5,362.
No fim da manhã desta terça, o BC vendeu todos os 80 mil contratos de swap cambial ofertados em leilão para rolagem do vencimento de 3 de novembro. Na prática, a operação -que já estava programada- injetou US$ 4 bilhões no mercado futuro de dólares, com montante dividido em dois vencimentos.
Para o vencimento de 4 de janeiro de 2027, foram aceitas três propostas, totalizando 26 mil contratos de swap cambial, equivalentes a US$ 1,3 bilhão. Para o vencimento de 1º de fevereiro de 2027, foram aceitas oito propostas de 54 mil contratos (US$ 2,7 bilhões).
Questionado sobre uma atuação conjunta com o Ministério da Fazenda para evitar que a disparada do dólar pese no mercado de títulos públicos, Galípolo destacou que os leilões do Tesouro Nacional são operacionalizados pelo Banco Central.
"Sempre tem uma coordenação em função disso. Para além disso, o ministro Dario [Durigan, da Fazenda], o ministro Bruno [Moretti, do Planejamento] e o próprio presidente Lula têm acompanhado com atenção tudo o que tem acontecido no dia de ontem e monitorado. O Banco Central, sempre cumprindo a sua função institucional, está ali para prestar todas as informações sobre o movimento do mercado", afirmou Galípolo.
Diante da turbulência no cenário, o Tesouro cancelou os leilões de títulos prefixados que estavam programados para esta semana e anunciou uma recompra de papéis prefixados e atrelados à inflação. Os dois movimentos contribuem para tirar a pressão das taxas e dar uma porta de saída aos investidores.
Ao todo, o Tesouro recomprou R$ 14,8 bilhões em títulos, na terceira maior intervenção diária de toda a série histórica, iniciada em janeiro de 2000. A comparação considera valores nominais.
