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Marca Bahia Notícias

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Investidores estrangeiros cobram rapidez em anúncio de ajuste fiscal de Lula

Por Mayara Paixão | Folhapress

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Investidores estrangeiros disseram em suas análises iniciais após a reeleição do presidente Lula (PT) para um quarto mandato que a incerteza fiscal pode afugentar o capital caso algum pacote de contenção de gastos crível não seja apresentado logo e projetaram enfraquecimento da economia para o próximo ano.
 

A gestora internacional de ativos Robeco, com cerca de US$ 450 bilhões sob gestão, diz à reportagem não ser "estruturalmente pessimista" em relação ao Brasil, mas afirma que a pressão sobre o real e os juros de longo prazo deve persistir se não houver medidas compensatórias ou a redução dos novos compromissos de gastos nas próximas semanas.
 

O banco americano Morgan Stanley projetou em relatório que as ações brasileiras caiam de 20% a 30% no próximo período e um enfraquecimento da economia em 2027, "o que tornará o ajuste fiscal ainda mais urgente".
 

Simulações do banco mostram que a dívida bruta do Brasil, hoje ao redor de 80% do PIB, poderia atingir 106% em 2035 se o ajuste fiscal for tardio e superficial.
 

Em sua previsão da provável desaceleração da economia, o Morgan Stanley afirma que medidas anunciadas por Lula durante esse ciclo eleitoral aumentam ainda mais a pressão fiscal.
 

Menciona nominalmente cinco delas: o reajuste no valor do benefício do Bolsa Família; a redução da arrecadação tributária na ordem de R$ 5 bilhões após a proibição das bets; a terceira edição do Desenrola; as promessas para os microempreendedores individuais e os subsídios aos combustíveis, fruto da continuidade da guerra no Oriente Médio.
 

Os investidores acompanham com cautela, na janela do próximo mês, as nomeações para o governo, em especial para a chefia da Fazenda, e talvez uma revisão do orçamento de 2027. A credibilidade do pacote fiscal e a capacidade de o Banco Central continuar reduzindo os juros são as principais preocupações.
 

Nas eleições de 2022, quando voltou à Presidência, Lula anunciou seu chefe da Economia, Fernando Haddad, na primeira quinzena do mês de dezembro.
 

A gestora de portfólio de mercados emergentes da Robeco, Daniela da Costa-Bulthuis, afirma que "sem sinais como um pacote fiscal crível, medidas compensatórias ou a redução dos novos compromissos de gastos, a pressão sobre o real e os juros de longo prazo poderá persistir".
 

A Robeco e o Morgan Stanley também mencionam o cenário do Executivo em relação ao Legislativo eleito neste pleito. Ambas as Casas, Senado e Câmara, serão as mais à direita do período em que Lula é presidente, com o PL, da família Bolsonaro, com as maiores bancadas. Mas a análise não é necessariamente negativa para os investidores.
 

Bulthuis diz que "há dois lados nessa questão". "A fragmentação política pode dificultar a aprovação, pelo governo, das medidas necessárias para enfrentar o desafio fiscal, mas essas restrições institucionais também podem oferecer mecanismos de controle e equilíbrio sobre políticas que os mercados consideram menos favoráveis."
 

"Portanto, para os investidores, a questão não é simplesmente se o Congresso apoia ou se opõe ao governo. A questão é se a administração conseguirá estabelecer uma relação funcional com o Congresso, capaz de viabilizar um orçamento crível e levar adiante sua agenda política sem comprometer a disciplina fiscal ou a governança institucional."
 

A reportagem também perguntou à Robeco, voltada para investimentos sustentáveis, sobre a importância do anúncio feito nas últimas semanas sobre Amazônia e o Cerrado terem tido o menor desmatamento já registrado durante o governo Lula 3 e a importância disso para os investidores.
 

Bulthuis afirmou que os avanços são um sinal positivo, mas apenas se as evidências forem duradouras e, mais, se houver instituições confiáveis e projetos viáveis para investimento.
 

"Os investidores ESG não são instituições de caridade e continuarão avaliando a governança, a credibilidade fiscal, o ambiente de crédito e as práticas das empresas, além dos indicadores ambientais", afirma a gestora de portfólio de mercados emergentes.
 

"Assim, o progresso ambiental fortalece a tese de investimento, mas não elimina a necessidade de disciplina na governança e na política macroeconômica."

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