Dólar oscila e Bolsa sobe com Datafolha e inflação no radar antes do segundo turno
O dólar está oscilando nesta sexta-feira (23), último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, que será realizado no domingo (25). Às 14h27, a moeda registrava queda de 0,21%, cotada a R$ 5,027.
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, operava em queda de 0,14%, aos 203.815 pontos.
Os investidores repercutem a pesquisa Datafolha divulgada na véspera (22), após o fechamento do mercado, que aponta empate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) na disputa pela Presidência. Os dois candidatos têm 50% dos votos válidos, considerando o arredondamento. Sem arredondar, o senador aparece com 50,47%, ante 49,53% do presidente.
O levantamento foi realizado de terça-feira (20) a quinta-feira (22) e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os votos válidos excluem brancos e nulos e são a base utilizada pela Justiça Eleitoral para divulgar o resultado final.
Além disso, há expectativa em torno do debate presidencial que será realizado nesta noite pela Globo, a partir das 21h20.
O mercado também acompanha os dados de inflação. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou para 0,32% em outubro, ante 0,70% em setembro, segundo dados divulgados nesta sexta pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,45%, segundo a Bloomberg, e também do piso das estimativas, de 0,33%.
Apesar da desaceleração, a inflação segue com um quadro qualitativamente preocupante, afirma Carlos Lopes, economista do banco BV.
"A distribuição da inflação entre os principais grupos veio dentro do esperado, com destaque para a pressão em alimentação, que registrou alta de 0,88%. A inflação de alimentos está disseminada entre diferentes itens, refletindo questões de oferta e pressões associadas ao El Niño", diz Lopes.
Em habitação, houve queda de 0,10% no mês, em razão da aplicação da bandeira tarifária verde na energia elétrica, que contribuiu para aliviar o grupo. Em transportes, a principal surpresa foram os reajustes do transporte público, que ficaram abaixo do esperado, segundo o economista.
Helena Veronese, economista-chefe da B.Side Investimentos, destaca também a queda das passagens aéreas, que registraram deflação, ao contrário do que o mercado esperava.
A economista afirma que a inflação de serviços, especialmente a dos componentes subjacentes, continua preocupante. "Isso é um retrato de uma economia que, embora esteja em processo de desaceleração, ainda tem um mercado de trabalho bastante aquecido", diz.
Para Veronese, o resultado altera pouco as perspectivas para a política monetária. A inflação acumulada em 12 meses continua acima do teto da meta, o que exige cautela do BC (Banco Central). Por outro lado, a desaceleração dos preços pode permitir a continuidade dos cortes de juros.
No exterior, os investidores acompanham a alta do petróleo, que pressiona os mercados globais em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. Às 14h35, o barril do Brent, referência internacional, subia 2,97%, cotado a US$ 116,53.
A commodity está em trajetória de alta desde a semana passada, quando se intensificaram os ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a pontos estratégicos da Arábia Saudita, incluindo refinarias e aeroportos. As negociações por um acordo de paz na região também não avançaram nos últimos dias.
A pressão sobre o petróleo aumenta as preocupações com a inflação e se soma à turbulência nas bolsas americanas. Segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, o mercado americano registrou na véspera uma intensa rotação de ações de tecnologia para setores mais tradicionais e defensivos, além de uma maior procura pelos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, conhecidos como Treasuries.
Às 14h36, os títulos americanos de dez anos registravam alta de 0,63%, com rendimento de 4,982%. Os papéis de 30 anos subiam 0,55%, com rendimento de 5,316%.
"Um ponto interessante é que, há algum tempo, observávamos uma correlação significativa entre os preços dos Treasuries e o desempenho das bolsas americanas. Nas últimas semanas, porém, essa relação parece ter perdido força", diz Benati.
O estrategista adiciona que, no cenário doméstico, apesar do resultado mais favorável da inflação brasileira e da perspectiva para os juros, o EWZ, ETF negociado nos Estados Unidos que acompanha uma cesta de ações brasileiras, registrava queda nesta manhã.
Para ele, o comportamento dos ativos indica que os dados de inflação e a melhora na curva de juros não são suficientes para afastar as preocupações dos investidores com a eleição brasileira.
As pesquisas que apontam empate entre Lula e Flávio Bolsonaro reduzem parte do otimismo observado recentemente. A candidatura do senador é associada à perspectiva de um ajuste fiscal mais rigoroso, um dos fatores apontados para a valorização recente da Bolsa e do real.
A expectativa de maior controle da dívida pública tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, aliviando a curva de juros futuros. Taxas menores, por sua vez, podem reduzir o custo do crédito para as empresas e melhorar as perspectivas de lucro, favorecendo o mercado acionário.
Em Wall Street, as bolsas operavam em queda. Às 14h38, o S&P 500 caía 0,32%, Dow Jones recuava 1,18%, enquanto o Nasdaq tinha queda de 0,10%.
