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Marca Bahia Notícias

Notícia

Flávio Bolsonaro muda estratégia em debate para conter rejeição, e Lula tenta evitar provocações

Por Caio Spechoto, Mariana Brasil e Carolina Linhares | Folhapress

Foto: Renato Pizzutto/ TV Band

O último debate da campanha presidencial terá um esforço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para não aumentar a própria rejeição, e uma tentativa de Lula (PT), candidato à reeleição, de não se abalar com provocações.
 

Realizado pela Globo nesta sexta-feira (23), o confronto é considerado decisivo por ambos os lados.
 

Aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que o clima de vale-tudo criado no primeiro debate não beneficiou o senador, e que seria necessário suavizar a postura de ataque.
 

Entre aliados de Lula, há a avaliação de que ele ficou abalado com algumas instigações, o que teria prejudicado o desempenho do mandatário. Eles citam, especialmente, a presença de Sergio Moro (PL-PR) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), esse último vestindo uma camiseta com os dizeres "eu prendi o Lula, STF soltou", na plateia.
 

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) mostrou os dois numericamente empatados, com 50% das intenções de votos válidos cada um. No primeiro turno, Flávio teve 47% e Lula, com 45%. Nunca o candidato a presidente mais votado no primeiro turno perdeu a eleição na segunda volta.
 

Na campanha de Flávio, o debate na antevéspera da eleição é tratado como prioridade pelo potencial de influenciar eleitores em uma disputa empatada tecnicamente e com um grande percentual de indecisos.
 

O candidato do PL visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), nesta quinta-feira (22) e reservou dois dias sem agendas públicas para o treinamento -enquanto no programa anterior, no domingo, ensaiou apenas algumas horas antes.
 

O desempenho do candidato, na avaliação de aliados, justificou o reforço para o último embate. Embora a leitura seja de que Flávio se saiu melhor, houve a ponderação de que o discurso ficou esvaziado, sem priorizar as propostas. Também foi citada a impressão de vale-tudo, algo que a campanha do PL agora quer minimizar para evitar ampliar a rejeição do senador.
 

Segundo auxiliares do congressista, o objetivo é reforçar segurança pública e economia como os principais eixos da campanha. Segundo um interlocutor, o presidenciável quer mostrar "como o cidadão não vai ter o celular roubado e como vai chegar com dinheiro no fim do mês".
 

Como o debate vai ter temas definidos e perguntas para regiões do Brasil, aliados de Flávio consideraram que será importante que o candidato domine os assuntos e demonstre ter conteúdo.
 

A equipe de Flávio a princípio manteria, porém, a movimentação do candidato pelo palco, algo que irritou a campanha de Lula. Em uma estratégia para inviabilizar cortes do adversário para as redes sociais, o bolsonarista se posicionou atrás do petista, reagindo e negando falas dele.
 

A pedido do PT, a TV Globo restringiu essa possibilidade. Segundo as regras do debate, somente o candidato com a palavra poderá se movimentar. No embate direto, cada um pode andar apenas pelo seu lado do palco.
 

Aliados de Lula relataram à Folha que um dos principais esforços do petista na Globo será não cair em provocações.
 

Além da irritação devido a Moro e Dallagnol, o petista teria ficado desconcentrado na Band após ataques e atitudes do adversário, como ficar atrás do mandatário, gesticulando enquanto o petista falava. A exaltação do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Sidônio Palmeira, durante o evento também ajudou a tirar o foco do petista, dizem interlocutores.
 

A preparação do candidato à reeleição para o debate tomou a quinta-feira (22) e continuará nesta sexta (23), já no Rio de Janeiro. O presidente deve viajar de Brasília para a cidade onde fica a sede da Globo no fim da manhã.
 

A lista de aliados que auxilia o petista a se preparar inclui: Camilo Santana, senador do PT pelo Ceará; Rafael Fonteles, governador petista reeleito no Piauí; Rui Costa, senador eleito do PT pela Bahia; Edinho Silva, presidente nacional do PT; Sidônio Palmeira; Raul Rabelo, marqueteiro da campanha; e Sandra Brandão, auxiliar de Lula no Palácio do Planalto e responsável por fornecer informações sobre as ações do governo.
 

Aliados relatam que, ao se preparar para debates, Lula costuma mais estudar grandes temas e discutir possíveis respostas e perguntas com aliados do que simular situações reais. Ele costuma reclamar publicamente dos formatos dos debates e, nos bastidores, demonstra não gostar das simulações.
 

Pessoas no entorno do petista mencionam que ele deixa de cumprir o combinado nas atividades de preparação. O principal exemplo seria não ter pedido voto nem no debate da Band nem na entrevista ao Jornal Nacional, apesar de ter sido orientado a fazer isso.
 

Se tiver chance, o candidato à reeleição deverá buscar repetir na Globo fórmulas que, na avaliação do grupo político do presidente, deram certo. Um ponto seria a cobrança para que Flávio Bolsonaro abra os sigilos -proposta formalmente aceita pelo adversário. Outro, tentar colar no candidato do PL o rótulo de ameaça a programas sociais.
 

Aliados dos dois candidatos citam mudança na quantidade de ataques em relação ao formato da Band, de embate direto nos blocos do programa. Este modelo será visto apenas no quarto bloco da TV Globo e por menos tempo.
 

O programa terá quatro blocos de perguntas e respostas entre os candidatos, além das considerações finais. Três blocos têm temas determinados, e um, tema livre. A ordem das perguntas será definida por sorteios feitos ao vivo pelo mediador.
 

A campanha de Lula chegou a tratar com a Globo sobre a possibilidade de uma checagem de fatos em tempo real durante o debate. A demanda ganhou importância após o primeiro embate entre os dois candidatos na Band ter sido permeado por acusações sem interferências dos mediadores.
 

A solução apresentada pela emissora foi a checagem por meio do portal g1, em tempo real, da mesma forma que outros veículos farão, incluindo a Folha de S.Paulo. No entanto, as informações não aparecerão na tela da televisão e precisarão ser acessadas nos sites.

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