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Marca Bahia Notícias

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Flávio Bolsonaro fala em usar maioria no Congresso para mudar a Constituição e "redemocratizar o país"

Por Catarina Scortecci e Cleomar Almeida | Folhapress

Foto: Divulgação / Vittor Sales

O senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu nesta terça-feira (6) apoio oficial de Ronaldo Caiado (PSD) para a campanha no segundo turno e exaltou a maioria conquistada no Congresso Nacional para fazer mudanças na Constituição.
 

"O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar este país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição", discursou Flávio, durante evento do anúncio com Caiado, em Goiânia.
 

O candidato do PL também voltou a defender castração química de pedófilos e estupradores e redução da maioridade penal, além de dizer que vai "arregaçar com vagabundo" —em setembro, durante comício no Recife, chegou a empunhar um facão falso para exaltar essas bandeiras.
 

As PECs (propostas de emenda à Constituição) precisam ser discutidas e votadas em dois turnos tanto na Câmara dos Deputados como no Senado. Nas duas Casas, também é necessário ter três quintos dos votos para aprovação, o equivalente a 308 deputados federais e 49 senadores.
 

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o Senado terá, a partir de 2027, ao menos 49 congressistas que defendem o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), ainda que com ressalvas. No caso da aprovação do afastamento de magistrados, são necessários 54 votos, ou seja, dois terços das cadeiras da Casa.
 

Na Câmara, o PL de Flávio ganhou 23 deputados e formará uma bancada de 121, a maior da Casa desde a eleição de 1986. Contando outros partidos como PP e Republicanos, a direita reunirá 303 deputados, ou 59% do total —índice próximo ao atual, de 57%.
 

Pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, chegou a sofrer derrotas em seu governo por falta de maioria no Congresso —como a PEC do Voto Impresso, defendida em manifestações golpistas e que acabou derrotada em 2021.
 

'TEMPO INTEGRAL'
 

Derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, Caiado disse que o apoio a Flávio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT, apesar das críticas ao candidato do PL feitas no primeiro turno, inclusive pelos elos com o caso Master.
 

"Proporcionalmente Goiás vai dar a maior vitória a Flávio Bolsonaro. Será mobilização em tempo integral", disse Caiado, que também exaltou Jair Bolsonaro.
 

"Eu jamais neguei, em todas as circunstâncias, que, se eu chegasse onde você vai chegar, eu iria assinar a anistia dele e de todos os [condenados] do 8 de Janeiro", afirmou. "O que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção."
 

O anúncio de Caiado foi feito durante um ato com aliados e apoiadores e contou com a presença do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos reeleitos no domingo (4).
 

Caiado deixou o Governo de Goiás em março para concorrer à Presidência, mas acabou com apenas 2,18% dos votos válidos no primeiro turno, em quinto lugar. Ele teve o apoio de 2,6 milhões de eleitores. Em Goiás, obteve sua melhor marca, 12,33%, equivalente a 472 mil votos –bem menos do que o 1,8 milhão de votos com os quais foi reeleito governador há quatro anos.
 

Flávio discursou na sequência, agradecendo Caiado. "Vocês [plateia] pedem que ele [Caiado] seja ministro porque nós temos vários pontos convergentes. A gente concorda em 115%", disse.
 

"Vou me inspirar muito na segurança pública em Goiás e em São Paulo", continuou ele, acrescentando que vai "construir meio milhão de vagas de presídios e aumentar penas para chefes criminosos". "A gente vai arregaçar com vagabundo", afirmou Flávio.
 

"O Brasil tem um presidente da República que briga com quem está em outro continente, mas não briga por você, não briga com assaltante de celular, não briga com traficante, não briga com miliciano. Eu vou brigar por você", continuou o candidato.
 

Flávio também disse que "o povo brasileiro cansou do Lula" e voltou a criticar o ministro do STF Alexandre de Moraes.
 

Caiado é um crítico da esquerda e de Lula (PT) e o apoio ao candidato do PL já era esperado. Mas, no primeiro turno, resgatou declarações de Flávio sobre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e afirmou em peças de campanha que ele "não tem compromisso com a verdade".
 

"Um mentiroso se acostuma a mentir, mente para todos", dizia a propaganda de Caiado, ao reproduzir frases de Flávio em que o presidenciável dizia não ter contato com Vorcaro, o que se revelou falso na sequência.
 

Durante sabatina no SBT, Caiado também sugeriu que Flávio Bolsonaro era "ladrão". "Tanto faz roubar com a mão esquerda ou com a mão direita. É ladrão. Não pode dizer amanhã que tem autoridade para combater o crime", afirmou na ocasião.
 

"Mentira não constrói campanha eleitoral. E as pessoas que gostam muito de citações bíblicas citam que Jesus Cristo dizia que o demônio é o pai da mentira", continuou o então candidato do PSD. Na mesma sabatina, disse que "eleição não é uma transferência familiar".
 

Nesta terça, em seu discurso, Caiado justificou: "Eu sou duro com todos. Não entro na campanha mole".
 

Durante a campanha, Lula se referiu a Caiado como um antigo adversário na política, ligado ao agro.
 

"O Caiado é um fazendeiro. Na verdade, não é um fazendeiro, é um homem da política. Eu sou adversário do Caiado desde 1989. Em 89, ele já era um homem da UDR [União Democrática Ruralista]", afirmou o petista durante entrevista ao Flow Podcast, no início deste mês.
 

No ato em Goiânia, o governador de São Paulo também dedicou parte do discurso a Jair Bolsonaro, o chamando de injustiçado.
 

"Tentaram calar Jair Bolsonaro, humilharam, mas a voz de Jair Bolsonaro reverbera por meio de todos vocês", afirmou Tarcísio. "Com Jair Bolsonaro, aprendemos a ter orgulho de falar de Deus, a professar nossa fé, a falar da família, de liberdade, do direito de propriedade privada, da livre iniciativa", disse.
 

"Sofremos durante quatro anos com os desmandos de um governo rancoroso, incompetente, mas está chegando ao fim. Nunca mais a gente vai ter o PT", afirmou Tarcísio.
 

Outro derrotado no primeiro turno, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a Flávio nesta segunda (5).

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