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Marca Bahia Notícias

Notícia

Presidente do PT vê suspeita de interferência dos EUA em eleições e critica fechamento de embaixadas

Por Juliana Arreguy | Folhapress

Foto: Reprodução / Agência Brasil

O presidente do PT, Edinho Silva, criticou o fechamento de embaixadas e consulados dos Estados Unidos em entrevista a jornalistas em São Paulo na manhã desta sexta-feira (2).
 

"Isso é inédito", disse Edinho à imprensa sobre a decisão dos EUA. "Não tem o menor sentido, é uma das formas que o [Donald] Trump tem pra fazer disputa da opinião pública brasileira, infelizmente é isso", afirmou ele.
 

Edinho fez um balanço do primeiro turno da campanha presidencial, no auditório de um hotel no centro de São Paulo. Durante a conversa com jornalistas, foi interrompido por um telefonema do presidente Lula. O teor da conversa não foi divulgado.
 

O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, também presente no local, disse que Lula tem o costume de telefonar para o presidente do partido.
 

"O presidente Lula liga para o Edinho para saber sobre a embaixada americana que fechou, mas se ele passar no meio da rua e vir uma placa de cabeça pra baixo, ele liga pro Edinho pra reclamar também. É o dia inteiro falando com ele", exemplificou Valadares.
 

A assessoria do PT nacional disse, após a entrevista, que a menção às embaixadas dada pelo secretário foi apenas um exemplo aleatório.
 

Ainda sobre os EUA, Edinho declarou que o PT fez várias denúncias de suspeita de interferência internacional nas eleições brasileiras. "Se ficar caracterizado que houve interferência na disputa eleitoral brasileira, a legislação brasileira é clara. Ela pune", disse.
 

Ele não deixou claro qual ação o PT pode tomar diante de um cenário de interferência direta, mas sinalizou que o partido pressionará os órgãos públicos.
 

"A gravidade quem vai dizer é a Polícia Federal, é o Ministério Público. Se é uma interferência gravíssima, isso vai ser remetido a organismos internacionais. O que não dá é para ficar passivo."
 

Edinho também chamou Trump de "maior líder fascista do século 21" e disse que o presidente dos EUA interfere nas eleições na Europa e na América Latina.
 

O presidente do PT disse que há, hoje, um sentimento antissistema muito forte em todo o mundo e que algo semelhante precedeu a Segunda Guerra Mundial. Ele utilizou isso como exemplo para afirmar que a campanha enfrenta alta rejeição porque propõe mudanças em um cenário altamente polarizado.
 

"Não estamos disputando contra Flávio [Bolsonaro], estamos disputando contra o sentimento de mudança", disse ele. "Flávio catalisa esse sentimento".
 

Ele defendeu reformas tanto na política quanto no Judiciário. "O sistema político brasileiro apodreceu", afirmou.
 

DEBATES
Mesmo defendendo a decisão da ministra Estela Aranha, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), de vetar o púlpito vazio de Lula no debate da TV Globo nesta quinta (1º), Edinho afirmou que o partido estava irritado com ela por não ter julgado um pedido de direito de resposta da campanha durante o horário eleitoral.
 

"Ontem, nossa irritação com ela era imensa e ela nos impediu de restabelecer a verdade", afirmou o presidente do PT sobre o não julgamento antes do fim do horário eleitoral, que acabou também nesta quinta.
 

A fala dele tem sido interpretada como uma defesa do partido após virem a público posicionamentos favoráveis da ministra a Lula.
 

O debate da TV Globo foi cancelado após Flávio Bolsonaro desistir de ir, de última hora, e alegar interferência do Judiciário. Edinho rebateu as críticas.
 

"Se a campanha não entrasse com ação impedindo isso, seria um escárnio com a gente. O debate não seria para confrontar ideias, seria para gerar desgaste com a candidatura", disse ele, que acrescentou: "Lula nunca disse que iria a debates no 1º turno, não sei qual a surpresa".
 

Ele afirmou que o presidente, no entanto, deve participar de debates eleitorais num eventual 2º turno e disse que os próximos passos da campanha serão definidos numa reunião nesta tarde, na capital paulista.
 

Em caso de segundo turno, Edinho afirmou que o partido está preparado e que possui palanques em todos os estados. "É evidente que precisamos ampliar ainda mais, claro que teremos de incorporar propostas de aliados", disse.
 

Sem citar nenhum estado específico, ele afirmou que, mesmo em locais onde haverá definição ainda no primeiro turno, a estrutura de campanha não deixará de existir.
 

Em São Paulo, onde se concentra o maior eleitorado do país, o PT esperava contar com eventual avanço de Fernando Haddad (PT) ao segundo turno para manter um palanque ativo para Lula repetir, ou melhorar, o desempenho conquistado no estado em 2022. No entanto, as pesquisas mais recentes indicam chances de vitória do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) ainda no primeiro turno.

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