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Dólar avança e Bolsa oscila com Datafolha e repercussão de dados de emprego dos EUA

Por Júlia Galvão | Folhapress

Foto: Reprodução / Agencia Brasil

O dólar opera em leve alta nesta sexta-feira (2), após a divulgação da nova pesquisa Datafolha e enquanto investidores repercutem os dados do relatório de empregos dos Estados Unidos. Às 11h25, a moeda tinha alta de 0,10%, cotada a R$ 5,229.
 

Os Estados Unidos informaram que foram criados 29 mil postos de trabalho no país em setembro, abaixo dos 90 mil projetados por economistas consultados pela Reuters. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante projeção de 4,1%. O dado de agosto, por sua vez, foi revisado de 162 mil para 133 mil vagas.
 

Logo após a divulgação dos números, o dólar perdeu força ante boa parte das demais divisas, enquanto os rendimentos dos títulos do governo americano (Treasuries) recuaram. O mercado passou a considerar que o resultado mais fraco do payroll reduz a possibilidade de uma nova alta de juros pelo Fed (Federal Reserve) na reunião de outubro. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de principais divisas, tinha queda de 0,36%.
 

O Ibovespa também abriu em alta, em meio à percepção de que uma política monetária menos apertada nos EUA pode favorecer ativos de risco. Às 11h28, porém, o índice recuava 0,23%, aos 186.763 pontos, pressionado pela queda das ações da Petrobras e de varejistas. Os papéis da Petrobras recuam após a alta da véspera, e pelo recuo dos preços do petróleo. Às 11h31, o Brent era negociado em queda de 3,21%, cotado a US$ 99.
 

Para Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil, o movimento positivo da Bolsa no começo do dia indica resistência dos compradores, mas o ganho deve ser interpretado com cautela. Segundo ele, o mercado tende a reduzir posições direcionais antes do 1º turno presidencial, diante das incertezas eleitorais.
 

Luis Ferreira, CIO para as Américas do EFG, diz que o resultado de emprego nos EUA abaixo do esperado reduz a possibilidade de uma nova alta de juros pelo Fed na próxima reunião, marcada para os dias 27 e 28 de outubro. Segundo ele, porém, o dado não encerra o debate sobre uma alta ainda neste ano. O EFG continua esperando uma elevação de 0,25 ponto percentual em dezembro.
 

William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, também destacou a diferença entre o resultado e as expectativas.
 

"Era esperada a criação de 80 mil novos postos de trabalho, mas foram criados apenas 29 mil. Além disso, tivemos a revisão do dado anterior, que havia sido bastante forte e chamado a atenção de todo mundo no último payroll. O número foi revisado de 162 mil para 133 mil postos de trabalho. É uma revisão bastante relevante. Ainda que o número revisado continue sendo considerado forte."
 

Segundo Castro Alves, outro ponto de atenção foi o crescimento dos salários. A expectativa era de avanço de 0,3%, mas o resultado foi de 0,1%, indicando desaceleração.
 

"Por último, mas não menos importante, chamou a atenção a taxa de desemprego, que subiu para 4,2%."
 

Para o estrategista, o mercado também reagiu aos dados depois de um período de forte alta dos rendimentos dos títulos do governo americano. Os Treasuries de 10 anos caíam 0,36%, para 5,219%, enquanto os títulos de 30 anos tinham rendimento de 5,572%, queda de 0,55%.
 

Os investidores também acompanham as incertezas no mercado de petróleo. Em 26 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou uma proposta do Irã para um plano de sete dias que previa a reabertura do estreito de Hormuz e a interrupção das hostilidades. Desde então, houve novas tratativas por meio de mediadores do Catar, mas ainda não houve um acordo.
 

No mercado doméstico, investidores também repercutem a divulgação da PIM (Pesquisa Industrial Mensal). A produção industrial recuou 0,6% em agosto ante julho, resultado abaixo das expectativas.
 

Para Rodolfo Margato, economista da XP, o resultado ficou abaixo das projeções e levou a uma revisão da perspectiva para o crescimento da economia no terceiro trimestre.
 

Segundo ele, a produção industrial recuou 0,6% em agosto ante julho, abaixo das expectativas da XP, de queda de 0,2%, e do mercado, de alta de 0,1%.
 

Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, afirma que o resultado também ficou abaixo das expectativas da instituição. Segundo ele, o desempenho é compatível com uma indústria mais fraca no segundo semestre, após alguma recuperação no primeiro trimestre.
 

No cenário político, investidores também acompanham os efeitos da nova pesquisa Datafolha, divulgada na véspera (1º). O levantamento mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% dos votos válidos no primeiro turno, ante 40% do senador Flávio Bolsonaro (PL). No segundo turno, Lula aparece com 48%, ante 45% de Flávio, em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
 

Na semana anterior, Lula tinha 43% dos votos válidos no primeiro turno e 47% das intenções de voto no segundo turno. Flávio Bolsonaro aparecia com 39% e 45%, respectivamente.

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