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Ibovespa recua e dólar avança com petróleo e IPCA-15

Por Júlia Galvão | Folhapress

Foto: Reprodução / Magnific

O dólar está em alta nesta sexta-feira (25). Às 12h36, a moeda norte-americana variava 0,08%, cotada a R$ 5,198. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, recuava 0,14%, aos 183.702 pontos. No exterior, os investidores acompanham o petróleo, que segue próximo de US$ 106, mas recuava 0,32%.
 

O recuo ocorre em meio às incertezas em torno do conflito no Oriente Médio. Em entrevista à Fox News exibida nesta quinta-feira (24), o presidente iraniano Masoud Pezeshkian afirmou que cabe aos Estados Unidos decidir se querem pôr fim à guerra no Irã, acrescentando que Teerã não deseja continuar lutando.
 

No mercado acionário, a queda do Ibovespa é pressionada principalmente pelas ações da Petrobras, que recuavam 1,58%, a R$ 48,48. A empresa tem peso relevante no índice e acompanha a movimentação dos preços do petróleo.
 

Apesar da queda dos valores, a permanência do petróleo em níveis elevados (acima de US$ 105) aumenta a preocupação com a inflação e reforça a perspectiva de juros altos por mais tempo. Na véspera (24), os rendimentos dos Treasuries atingiram os maiores níveis em décadas nos EUA. A taxa da Treasury de dez anos chegou a 5,195%, maior patamar desde 2007, enquanto o título de 30 anos fechou a 5,479%, máxima desde 2004.
 

Às 12h40 o rendimento da Treasury de dez anos estava em 5,207%, com alta de 0,85%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, estava em queda de 0,19%.
 

No cenário doméstico, o mercado repercute a divulgação do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), que subiu 0,7% em setembro, após registrar queda de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados nesta sexta pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 

A alta foi a maior para um mês de setembro desde 2021, quando o índice avançou 1,14%. O resultado também surpreendeu o mercado financeiro ao ficar acima das projeções coletadas pela Bloomberg. A alta superou tanto a mediana das estimativas, de 0,55%, quanto o teto, de 0,66%.
 

A alta da inflação já era esperada após o fim de fatores temporários que haviam contribuído para a queda do índice em agosto, como o bônus de Itaipu. O desconto temporário na conta de luz havia ajudado a levar o IPCA-15 para o campo negativo (deflação) em agosto.
 

Christian Meduna, economista do banco BV, diz que os principais componentes do resultado estão na alimentação, que vinha registrando deflação nos últimos meses e finalmente saiu desse movimento. Segundo ele, houve mais oscilação nos preços dos produtos in natura, que podem ter relação com questões climáticas e com itens específicos que vêm apresentando variações expressivas.
 

"Batata e tomate, por exemplo, nas últimas leituras vêm caindo e subindo muito forte", afirma.
 

Entre os itens específicos, o economista destaca ainda as passagens aéreas, que costumam oscilar de um mês para o outro. No mês passado, o preço havia recuado 13% e, agora, subiu quase 10%, contribuindo para o resultado final do índice.
 

Para Júlio Barros, economista do Daycoval, o resultado representa um desafio para o BC (Banco Central) porque fatores temporários que haviam contribuído para reduzir a inflação agora exercem pressão no sentido contrário.
 

Barros afirma ainda que os núcleos de inflação, embora tenham vindo em linha com a expectativa, permanecem em níveis elevados e registraram alta na comparação interanual. A expectativa do economista é de manutenção da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que acontece nos dias 3 e 4 de novembro.
 

O mercado também acompanha as pesquisas sobre a corrida presidencial de 2026, que chega às portas de sua última semana com Lula (PT) marcando 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo a última pesquisa Datafolha divulgada na véspera.
 

No segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados, com 47% para Lula e 45% para o senador fluminense. A diferença voltou a crescer em relação ao levantamento da semana passada, quando o petista tinha 46% e Flávio, 44%.
 

No primeiro turno, Lula também oscilou de 39% para 40%, enquanto Flávio manteve os 36%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
 

O levantamento mostra uma interrupção na trajetória de aproximação de Flávio, que havia reduzido de 10 para 3 pontos a distância em relação a Lula ao longo de quatro meses. Agora, a diferença no primeiro turno voltou a quatro pontos, embora os resultados permaneçam dentro da margem de erro.
 

Em Wall Street, as Bolsas operam em alta. Às 12h51, o S&P 500 subia 0,14%, o Dow Jones avançava 0,26% e o Nasdaq tinha leve alta de 0,02%.
 

No mercado de juros futuros, após avançarem nas duas sessões anteriores, as taxas dos DIs operavam em baixa nesta sexta-feira.
 

Às 10h32, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,645%, com baixa de 0,02 ponto percentual. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,98%, recuo de 0,07 ponto percentual.

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