Flávio Bolsonaro procura União-PP, que avalia apoio no 2º turno com garantia para Alcolumbre no Senado
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) procurou nesta semana os presidentes do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e do União Brasil, Antônio Rueda, para pedir o apoio dos partidos em um eventual segundo turno.
Os partidos, que juntos formam uma federação, avaliam a aliança, mas querem atrelar um apoio a um espaço num eventual governo bolsonarista e à permanência de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado.
Flávio Bolsonaro chegou perto de fechar uma aliança com o PP e União Brasil no primeiro turno, mas não conseguiu por falhas na sua articulação, pela explosão do caso "Dark Horse" e por uma pressão do governo Lula pela neutralidade das legendas. Como estão federados, os partidos funcionam como um só e precisam tomar uma decisão conjunta sobre um apoio formal.
Desta vez, ao contrário do que ocorreu no primeiro turno, Ciro Nogueira está propenso a apoiar Flávio numa segunda fase da disputa. De acordo com aliados, o senador se irritou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que foi ao Piauí e o chamou indiretamente de "vira-lata", apoiando adversários do PP na corrida pelo Senado.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, Nogueira tinha uma espécie de pacto de não agressão com Lula. Mesmo aliado ao bolsonarismo, após ser ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, o presidente do PP precisa angariar votos lulistas para se reeleger senador pelo Piauí, que na última eleição deu 74,25% ao petista no primeiro turno.
O pacto de não agressão previa que Lula não atacasse Ciro Nogueira diretamente e concentrasse apoio apenas em Marcelo Castro (MDB), deixando de lado Júlio César (PSD) na eleição ao Senado. O presidente do PP, então, deixaria o partido neutro na eleição presidencial.
Agora, diante da postura de Lula a favor de Júlio César e contra Ciro, o PP não teria mais compromisso com a neutralidade. Enquanto isso, segundo aliados, Flávio Bolsonaro cortejou Nogueira garantindo que não iria ao Piauí antes do primeiro turno para não expor ao eleitorado do estado, majoritariamente lulista, a relação entre os dois.
Além da sobrevivência eleitoral de Nogueira, pesa para a reaproximação a perspectiva de vitória bolsonarista em dois Poderes. Na corrida pela Presidência, lideranças do centrão voltaram a apontar favoritismo de Flávio Bolsonaro na disputa contra Lula.
A ala majoritária do centrão avalia que o escândalo do Banco Master prejudica pouco Flávio Bolsonaro diante da crise envolvendo o ministro do STF Alexandre de Moraes. A campanha bolsonarista tem colado a imagem do magistrado no presidente Lula, que passou a enfrentar dificuldades nas últimas pesquisas de intenção de voto.
A federação também é cética quanto ao impacto eleitoral do pacote de bondades preparado por Lula, por acreditar que ele foi lançado muito próximo do primeiro turno. O presidente anunciou no dia 17 de setembro um reajuste do Bolsa Família, e antes assinou medidas para conter o preço dos combustíveis.
Apesar do interesse inicial da federação União Progressista em apoiar Flávio, dirigentes do grupo pregam cautela. Primeiro, querem ter em mãos o resultado do primeiro turno para comprovar ou não o favoritismo do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo, União e PP também querem ter em mãos o número da bancada eleita no Congresso. O principal interesse do União Brasil é preservar Davi Alcolumbre no comando do Senado, a despeito do plano bolsonarista de assumir o controle da Casa.
O PL acredita que conseguirá uma maioria capaz de eleger um presidente do Senado alinhado à pauta do impeachment de ministros do STF. Já Alcolumbre deve contar com o apoio do governo Lula (PT) e do centrão para continuar no cargo a partir do ano que vem. Ele é contra dar sequência ao afastamento dos magistrados.
Dessa forma, a eleição para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027, pode ser um dos entraves para um apoio a Flávio Bolsonaro. Uma reunião entre os presidentes da federação União-PP está marcada para o dia 6 de outubro, em Brasília, com a bancada eleita pela federação. Uma decisão sobre o posicionamento nacional da legenda deve sair desse encontro.
Enquanto a federação União-PP se reaproxima de Flávio Bolsonaro, os demais partidos do centrão jogam parados. No Republicanos, lideranças avaliam a eleição como aberta e trabalham para manter sua distância da disputa presidencial.
Já no PSD a situação é imprevisível. Como mostrou a Folha, aliados do presidente Lula querem garantir a neutralidade do partido. Mas a tendência do candidato da legenda à Presidência, Ronaldo Caiado, é apoiar Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Já o presidente nacional do partido e vice de Caiado na chapa presidencial, Gilberto Kassab, tende à neutralidade e deve, no mínimo, encarecer qualquer apoio. Lideranças do Nordeste, com tendência lulista, comandam uma ala importante do PSD.
