Após banir imprensa, Casa Branca lança 'Trump TV' com 'destaques da gestão'
O governo de Donald Trump lançou a "Trump TV", proposta de canal com programação voltada a elogiar feitos e registrar declarações importantes do presidente dos Estados Unidos. A transmissão foi ao ar na noite desta segunda-feira (21), no canal da Casa Branca no YouTube, após o republicano banir da cobertura da sede do Executivo emissoras críticas a sua gestão.
Na sexta-feira (18), Trump anunciou o banimento das emissora CNN e MS NOW, além do site Politico. Os jornalistas desses veículos foram impedidos de entrar na Casa Branca, e as empresas anunciaram que vão processar o governo federal. As empresas argumentam que a medida viola os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição americana para a cobertura do presidente.
Não há ainda maiores informações sobre o canal. Anunciado em três publicações nas redes sociais da Casa Branca, com um vídeo feito a partir de recortes de séries televisivas famosas, como "Breaking Bad", "Seinfeld" e "Bob Esponja", o perfil do governo diz apenas que o canal passará conteúdo 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Uma hora após o lançamento, o canal retransmitiu o evento de posse do segundo mandato de Trump, ocorrido no dia 20 de janeiro de 2025. No YouTube, a descrição do canal diz: "Assista aos maiores momentos da gestão Trump em um só lugar. Os melhores vídeos, as maiores declarações e destaques imperdíveis em transmissão 24/7 e atualizada em tempo real. Fique informado e atualizado!".
Ainda nesta segunda, a CNN foi retirada da função de representante do pool de imprensa responsável pela cobertura televisiva da Casa Branca. Em resposta, as principais redes de televisão concordaram em suspender a cobertura conjunta dos compromissos do presidente.
Pouco após o anúncio desta segunda, Trump foi às redes sociais afirmar que as empresas representam "uma ameaça à segurança nacional". Em uma publicação em sua rede social, o presidente afirmou estar conduzindo uma ofensiva contra as "notícias falsas, algo que cresceu como um câncer" no país. "Isso é uma ameaça à nossa segurança nacional e precisa ser interrompido, agora", acrescentou.
Há anos, cinco redes -ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC- compartilham a responsabilidade pela cobertura televisiva dos eventos presidenciais, dividindo os custos e distribuindo as imagens para organizações de notícias de todo o mundo. As redes se revezam na função, e a CNN estava escalada para cobrir a viagem de Trump à Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Os compromissos do presidente nesta segunda ainda foram acompanhados por jornalistas da imprensa escrita, do rádio e de agências de notícias, além de fotógrafos.
