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Marca Bahia Notícias

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Lula diz a aliados que sessão do STF foi um show de horrores e que vai procurar Fachin para conversa

Por Catia Seabra | Folhapress

Foto: Rosinei Coutinho / Ricardo Stuckert

O presidente Lula (PT) classificou como um show de horrores a sessão de terça-feira (15) em que, em meio à troca de ofensas entre magistrados, o STF (Supremo Tribunal Federal) acabou por suspender o debate sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master.
 

Ainda segundo seus aliados, Lula pretende procurar o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, na busca de alternativa capaz de reverter um adiamento prolongado da decisão.
 

O chefe do Executivo, de acordo com esses relatos, alimentava a expectativa de abertura de investigação já na terça, na esperança de que a crise interna na cúpula do Judiciário não contaminasse a reta final do primeiro turno das eleições.
 

Na avaliação de colaboradores do presidente, o adiamento perpetua uma briga na corte e ofusca um debate sobre as propostas dos candidatos para o país. Apoiadores de Lula argumentam que a crise tem beneficiado o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, que empunha a crítica a Moraes como bandeira eleitoral.
 

Por isso, dizem os aliados, não faria sentido supor que Lula tenha exercido qualquer ingerência na suspensão do julgamento. Esse argumento não impede que adversários explorem o fato de a sessão ter sido suspensa após pedido de vista de Flávio Dino. A atuação direta de seu ex-ministro da Justiça no adiamento pode ser usada por opositores como prova de apoio do presidente a Moraes.
 

Essa é, ainda segundo aliados, uma das causas da frustração de Lula. De acordo com esses interlocutores, o presidente avalia que ministros alinhados a Moraes priorizaram a preservação do colega, num movimento corporativista, em detrimento da pacificação na Praça dos Três Poderes.
 

De acordo com os relatos, o presidente admitiu preocupação com a participação de Dino, Gilmar Mendes e até de seu ex-advogado, Cristiano Zanin, para o desfecho da sessão.
 

Um atenuante estaria na retirada parcial do sigilo sobre a rede de pagamentos do Banco Master e inquéritos. O acesso de ministros aos dados impediria, na opinião de petistas, um vazamento seletivo de informações por parte de Mendonça, relator do caso.
 

Em entrevista nesta quarta (16), o presidente disse que, com o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro agora em poder de mais ministros do STF, será possível que a sociedade descubra "quem foi fazer suruba". Também disse que "gente famosa" agenciava mulheres, agindo como o "cafetão da turma". Ao canal Desce a Letra Show, no YouTube, Lula criticou a sessão do STF.
 

Segundo o presidente, a imagem do Judiciário não está boa e é preciso uma reforma no sistema de Justiça. "Acho que não tem como não discutir mais isso."
 

Na entrevista, Lula elogiou a atuação de Moraes em defesa da democracia. A declaração fez com que a equipe da campanha à reeleição se apressasse para explicar que essa não era uma expressão de apoio incondicional ao ministro do STF.
 

Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio afirma que o presidente avalia que Moraes é criticado por bolsonaristas pelo que fez de correto -que foi a defesa da democracia- e não por eventual envolvimento com Vorcaro.
 

Marco Aurélio afirma que, na opinião de Lula, ninguém está acima da lei. A atuação de Moraes em defesa da democracia não lhe confere um direito extraordinário de não se explicar.
 

"É importante que o Alexandre se explique. Temos uma crise sem precedentes na história do nosso sistema de Justiça. E o Poder Judiciário tem que ter a dimensão da gravidade dessa crise", disse.
 

O coordenador do grupo Prerrogativas afirma ainda que essa não é uma crise do Executivo e enfatiza o argumento de que o esquema do Master foi estruturado no governo Bolsonaro e desmontado por Lula.
 

Apesar desse discurso, o presidente tem manifestado, em suas conversas, preocupação com o desdobramento do caso e reflexos na sua candidatura à reeleição. Tanto que, na manhã de terça, procurou ao menos um ministro em busca de informações sobre o que esperar da sessão do STF. Em resposta, ouviu que era imprevisível.
 

A exposição pública, com transmissão televisiva, do racha na Suprema Corte se estendeu por mais de cinco horas de discursos -e um total de quase oito horas dedicadas ao tema, incluindo um intervalo para almoço.
 

Após ouvir críticas dos colegas à condução do processo e não conseguir chegar à votação do tema proposto, Fachin suspendeu a discussão após pedido de vista (mais tempo para análise) de Dino, que pode durar até 90 dias, com tendência de retomada apenas após as eleições.
 

A sessão foi marcada para avaliar um relatório da Polícia Federal que cita mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Moraes.
 

O debate terminou por abordar também supostas irregularidades por parte de Mendonça na condução do caso Master, tema previsto para ser analisado em sessão do dia 23.

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