Dólar recua e Bolsa avança impulsionada por exterior e Datafolha
O dólar está em queda nesta sexta-feira (21), acompanhando o desempenho da divisa norte-americana no exterior. No cenário doméstico, os agentes monitoram o noticiário político, à espera da divulgação de uma nova pesquisa Datafolha.
Às 12h34, a moeda tinha queda de 0,72%, cotada a R$ 5,156. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,03%.
A nova pesquisa Datafolha será divulgada a partir das 18h40.
No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, tinha alta de 2,10%, aos 171.454 pontos, com Vale e bancos entre os principais suportes do índice. Banco do Brasil avançava 2,93%, Itaú subia 2,74%, Bradesco tinha alta de 2,79% e Santander avançava 2,31%. Vale subia 2,16%.
Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a Bolsa brasileira encontra um importante e necessário suporte no desempenho de suas principais blue chips, especialmente Vale e Petrobras. Segundo ela, o acirramento das tensões no Oriente Médio impulsiona os preços do petróleo e de outras matérias-primas no mercado internacional, beneficiando diretamente as grandes empresas exportadoras que compõem o índice.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, afirma que, apesar da piora no cenário externo, a desaceleração da atividade econômica brasileira segue sustentando as apostas em um novo corte da Selic em setembro, o que ajuda a dar um piso para o humor no mercado local.
Segundo ele, a agenda doméstica e externa desta sexta-feira deve ditar o ritmo dos negócios. Entre os destaques estão os PMIs (Índice de Gerentes de Compras) da Europa e dos Estados Unidos, acompanhados de perto pelos investidores para avaliar a saúde das economias desenvolvidas e seus impactos sobre a política monetária global.
As pesquisas publicadas pela S&P Global nesta sexta-feira sugerem que o crescimento da economia americana pode acelerar no terceiro trimestre. Os dados apontam para uma expansão anualizada próxima de 3%, o dobro do ritmo de 1,5% registrado no segundo trimestre.
A fraqueza do dólar ante outras moedas ocorre em meio a questionamentos de investidores sobre os esforços do Tesouro dos Estados Unidos para acalmar o mercado de títulos. Segundo os agentes, as medidas adotadas pelo órgão para conter a pressão nesse mercado podem acabar afetando a confiança na moeda americana.
Na véspera (20), a moeda norte-americana fechou em alta de 0,33%, enquanto a Bolsa encerrou próxima da estabilidade, em avanço de 0,05%, aos 167.927 pontos. A valorização do petróleo beneficiou as ações da Petrobras, cuja alta ajudou a limitar as perdas do índice.
Analistas repercutiram a nova escalada do conflito entre Washington e Teerã. Na quarta-feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que vai conduzir uma "guerra econômica sem precedentes" contra o Irã e ameaçou países que oferecessem apoio financeiro ao regime iraniano.
Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o plano tem como objetivo "distrair da própria crise dos Estados Unidos." O Irã também avaliou atacar alvos militares americanos na Europa caso Trump intensifique a guerra, segundo pessoas próximas ao regime.
Além disso, nesta sexta-feira (21), o Irã afirmou que sua resposta a quaisquer novas ameaças dos Estados Unidos seria "devastadora", após Washington prometer impor as sanções financeiras "mais severas da história" com o objetivo de derrubar o regime iraniano.
As declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foram feitas na quinta-feira (20), após Trump anunciar a guerra econômica e ameaçar países que oferecessem qualquer tipo de apoio financeiro ao Irã. Bessent disse que os detalhes das medidas serão apresentados na segunda-feira (24).
O estreito de Hormuz permanece fechado, enquanto Teerã exige que os Estados Unidos cumpram condições de um acordo provisório firmado em junho.
Entre as exigências estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e a interrupção de ameaças e operações militares americanas.
Antes da guerra, o estreito de Hormuz era responsável pela passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Com a interrupção da rota, investidores voltam a temer um choque de oferta de energia. A perspectiva aumenta a cautela nos mercados e pode pressionar a inflação global.
Com o cenário indefinido, o barril de petróleo voltou a subir. Por volta das 10h45, o Brent, referência mundial da commodity, avançava 0,22%, a US$ 93,95.
Os investidores também continuaram reagindo ao anúncio do Tesouro dos EUA de aumentar o volume de recompra de títulos de longo prazo. A medida reduziu os rendimentos dos Treasuries e favoreceu a busca por ativos de mercados emergentes.
O órgão informou que elevará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o volume das operações de recompra de títulos com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos.
O anúncio ocorreu após o rendimento dos títulos de 30 anos chegar a quase 5,34% na terça-feira (18), o maior nível desde 2007. Quando os rendimentos sobem, os preços dos títulos caem, elevando o custo de financiamento de longo prazo para o governo e servindo de referência para outras modalidades de crédito, como financiamentos imobiliários.
A alta dos juros longos também reflete preocupações dos investidores com a trajetória fiscal americana. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história.
A decisão do Tesouro dos EUA teve impacto nos mercados. Os rendimentos dos títulos americanos de 10 anos e 30 anos caíram. No Brasil, os juros futuros também recuaram.
Bruno Yamashita, coordenador de alocação e inteligência da Avenue, diz que, apesar do anúncio, o impacto sobre os juros foi limitado. O Treasury de 10 anos recua levemente e negocia próximo de 4,69%, ainda em patamares próximos aos observados nos últimos dias, quando chegou a operar na faixa de 4,74% a 4,75%.
Em Wall Street, as Bolsas americanas avançavam nesta sexta-feira. O S&P 500 subia 0,47%, o Dow Jones tinha alta de 0,80% e o Nasdaq avançava 0,53%.
De acordo com Bruno, o movimento representa uma recuperação após uma sessão negativa na quinta-feira, quando os principais índices americanos registraram quedas entre 0,9% e 1,3%.
Segundo o especialista, com uma agenda econômica mais esvaziada nesta sexta-feira, os investidores já começam a direcionar a atenção para a próxima semana, que deve trazer eventos mais relevantes. O principal destaque será o simpósio de Jackson Hole, onde o mercado acompanhará as sinalizações do Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano)sobre os próximos passos da política monetária.
"Em resumo, o mercado encerra a semana em compasso de espera, com os investidores monitorando os próximos sinais sobre juros, política monetária americana e os resultados corporativos que devem movimentar a próxima semana", diz
