Dólar e Bolsa sobem com alta do petróleo e tensão no Oriente Médio
O dólar sobe nesta quinta-feira (20), com a elevação dos preços do petróleo aumentando a cautela dos investidores. Por volta das 12h50, a moeda americana subia 0,17%, a R$ 5,186. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, rondava a estabilidade, com queda de 0,01%.
No mesmo horário, a Bolsa também avançava, em alta de 0,43%, a 168.566 pontos. Durante o pregão, as ações da Petrobras se beneficiavam da elevação dos preços da commodity e registravam altas de mais de 3%.
No radar do pregão está a nova escalada do conflito entre Washington e Teerã. Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai conduzir uma "guerra econômica sem precedentes" contra o Irã e ameaçou países que "oferecem qualquer tipo de salvação" financeira ao regime iraniano.
Em resposta, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o plano tem como objetivo "distrair da própria crise dos Estados Unidos". Nos últimos dias, o Irã também avaliou atacar alvos militares americanos na Europa caso Trump intensifique a guerra, segundo pessoas próximas ao regime.
O estreito de Hormuz permanece fechado, enquanto Teerã exige que os Estados Unidos cumpram condições de um acordo provisório firmado em junho. Entre as exigências estão o fim do bloqueio aos portos iranianos, a suspensão das sanções sobre o petróleo, a liberação de ativos congelados e a interrupção de ameaças e operações militares americanas.
Considerado estratégico para o comércio global, o estreito de Hormuz era responsável, antes da guerra, pela passagem de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Com a interrupção da rota, investidores voltam a temer um choque de oferta de energia e uma nova pressão sobre a inflação global, o que aumenta a cautela nos mercados.
Com o cenário indefinido, o barril de petróleo volta a subir. Por volta das 11h50, o Brent, referência mundial da commodity, avançava 1,83%, a US$ 93,32.
"A escalada de tensões no Oriente Médio empurra o Brent para cima, o que alimenta preocupações inflacionárias, porém também sustenta as ações ligadas ao petróleo no Brasil, como Petrobras, que aparecem entre os principais suportes do índice", diz Otávio Araújo, consultor sênior da Zero Markets Brasil.
Na terça, os investidores reagiram ao anúncio do Tesouro dos EUA de aumentar o volume de recompra de títulos de longo prazo. A medida reduziu os rendimentos dos Treasuries e favoreceu a busca por ativos de mercados emergentes.
O órgão informou que elevará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões o volume das operações de recompra de títulos com vencimento entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos.
Os preços dos títulos do Tesouro americano e seus rendimentos se movem em direções opostas: quando os preços dos Treasuries caem, os rendimentos sobem; quando os preços avançam, os rendimentos recuam. Ao ampliar as recompras, o Tesouro aumenta a demanda pelos papéis, buscando elevar seus preços e, consequentemente, reduzir os rendimentos dos títulos de longo prazo.
A decisão teve impacto nos mercados. O rendimento dos títulos americanos de 30 anos e de 10 anos caíram. No Brasil, os juros futuros também recuaram.
Nesta quinta, contudo, o movimento se inverte. Os rendimentos do Treasuries de dez e 30 anos sobem 5 pontos-base, a 4,698% e a 5,242%, respectivamente.
Os juros futuros também sobem no Brasil, com a taxa DI de 2028 avançando a 13,93% (alta de 4 pontos-base) e de 2023 subindo a 14,74% (avanço de 7 pontos-base).
No mercado internacional, a alta dos títulos americanos faz com que as Bolsas S&P 500, Nasdaq e Dow Jones recuem. Em um cenário de renda fixa com taxas atrativas e maior cautela com conflito internacional, o mercado de ações tende a se desvalorizar.
A decisão de ampliar as recompras ocorre em um momento de crescente tensão no mercado de títulos mais importante do mundo. Na terça-feira (18), o rendimento dos papéis de 30 anos chegou a quase 5,34%, o maior nível desde 2007.
A alta dos juros longos também encarece o crédito para empresas e consumidores, já que essas taxas servem de referência para modalidades como financiamentos imobiliários.
Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, a recompra atua como um alívio tático de curto prazo para garantir liquidez ao mercado, mas não é suficiente para alterar estruturalmente a trajetória dos juros longos.
"A tendência de longo prazo das taxas americanas é ditada por fundamentos macroeconômicos, como a persistência da inflação, o ritmo de crescimento econômico, o tamanho do déficit fiscal do governo e a condução da política monetária pelo Fed", diz.
