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Marca Bahia Notícias

Notícia

MPF processa Renan Santos e MBL por ofensas a indígenas e pede R$ 500 mil de indenização

Por Eduardo Moura | Folhapress

Foto: Gilberto Cardoso/Confederação Nacional de Municípios

O MPF (Ministério Público Federal) no Pará ajuizou ação contra Renan Santos, candidato à Presidência pelo partido Missão, por declarações contra indígenas do estado.
 

O órgão pede indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos em razão de publicações consideradas discriminatórias contra 14 etnias indígenas do Baixo Tapajós, no Pará. A ação, ajuizada na segunda-feira (17), fala em "propagação de discurso de ódio e racismo" e também inclui o MBL (Movimento Brasil Livre), organização fundada pelo presidenciável.
 

"Um bando de índio vagabundo e picareta do PSOL acabou com a possibilidade do uso de uma hidrovia", disse Renan em um vídeo publicado em fevereiro, durante protestos no terminal da empresa Cargill, em Santarém (PA).
 

Indígenas da região do Tapajós, oeste do Pará, bloquearam o terminal portuário da empresa em 22 de janeiro, em Santarém (PA). Eles permaneceram no local por mais de um mês em protesto contra o plano de hidrovias do governo Lula (PT), em rios da amazônia. Também invadiram a área interna da companhia.
 

O governo cedeu à pressão dos atos, que cresceram desde janeiro, e anunciou a revogação do decreto 12.600/2025, alvo das críticas dos manifestantes. A medida levou à desmontagem do acampamento, realizado na área externa da empresa.
 

Na ação contra Renan, em caráter de urgência, o MPF pediu à Justiça Federal a remoção imediata das postagens e que proíba os réus de publicarem novos conteúdos "que ofendam ou deslegitimem a identidade étnica desses povos", sob pena de multa diária de R$ 3.000 em caso de descumprimento.
 

Renan, nesta terça, participou de evento promovido pela CNT (Confederação Nacional de Transportes) e falou a respeito da ação. Ele se referiu ao protesto no Pará como "uma política de sabotagem, que era tocada por uma suposta tribo indígena". Também afirmou que compra brigas do setor de transportes.
 

"Reclamei que índios criminosos -ou supostos índios criminosos- invadiram a área da Cargill deixando centenas de caminhoneiros esperando numa fila gigantesca, sem ter como ir ao banheiro, sem ter como beber água, e impedindo o escoamento da produção de grãos que vinha não só do Pará, mas vinham também do Mato Grosso, destruindo a possibilidade da construção de uma hidrovia, que conectaria ela própria com ferrovias e rodovias, melhorando o escoamento da nossa produção".
 

Ele continuou: "Gravei um vídeo sobre isso, trouxe luz para esse tema nacionalmente e agora estou sendo acusado de [ser] uma pessoa que tem preconceito contra índios. E o Ministério Público Federal exige de mim uma retratação pública para as 14 etnias indígenas que supostamente eu ofendi e também o pagamento de R$ 500 mil para eles. Obviamente porque ninguém é de ferro, né? Todo mundo precisa de um dinheirinho".

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