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Notícia

Fabricante de iate de R$ 2 bi que pertenceu a Vorcaro é intimada a prestar depoimento no caso Master

Por Paulo Ricardo Martins | Folhapress

Foto: Reprodução / Instagram

O estaleiro alemão Lürssen, que fabricou um superiate do qual Daniel Vorcaro foi dono, foi intimado a entregar documentos e a indicar dirigentes para prestar depoimentos sobre eventuais negócios com o banqueiro e outras pessoas ligadas ao Banco Master.
 

A intimação foi feita pelo liquidante do Banco Master, Eduardo Felix Bianchini, e faz parte do processo de liquidação da instituição financeira que corre nos Estados Unidos. A intimação foi feita em 15 de junho e deu prazo para que a empresa entregasse os documentos até 2 de julho.
 

A Folha de S.Paulo procurou a Lurssen e perguntou se a empresa entregou os documentos e se prestou o depoimento. Em nota, o estaleiro disse que não se pronunciará sobre o tema, conforme a política corporativa da companhia.
 

Procurada por email na tarde desta quinta-feira (13), a defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou até a publicação desta reportagem.
 

Nos Estados Unidos, quando um processo de falência ou liquidação estrangeiro recebe aval da Justiça americana, no chamado "Chapter 15" do código de falências, o responsável por essa liquidação no exterior ganha o direito de buscar informações e documentos dentro do país.
 

A lei permite que esse representante estrangeiro solicite, por meio de seus advogados, a expedição de intimações a empresas ou pessoas que possam ter documentos ou bens relevantes para a investigação.
 

Como mostrou o jornal Financial Times, o iate Nixie, produzido pela Lürssen, foi inicialmente encomendado pelo empresário e ex-jogador canadense Patrick Dovigi e vendido depois a Vorcaro.
 

Dovigi recomprou o iate depois da prisão do banqueiro em novembro de 2025 e, posteriormente, a revendeu a Nik Storonsky, fundador da fintech Revolut.
 

A embarcação virou alvo de uma disputa judicial entre Storonsky e a corretora de iates britânica Cecil Wright & Partners, que afirma ter sugerido a Storonsky a compra do veículo, avaliado em 350 milhões de euros (cerca de R$ 2,1 bilhões na cotação atual).
 

Segundo o Financial Times, a corretora afirma que Storonsky agiu "pelas suas costas" para evitar o pagamento de comissão pela compra do superiate. A corretora processou o executivo em 17,5 milhões de euros.
 

Procurada pela Folha, a Cecil Wright & Partners disse que não comentará o tema, "pois se trata de um assunto jurídico privado". A Revolut não respondeu ao pedido de resposta da reportagem.
 

A Lürssen é uma companhia alemã fundada há mais de 150 anos. O Nixie tem mais de 102,4 metros de comprimento e conta com uma piscina de vidro parcialmente suspensa e um heliponto na parte dianteira do iate.
 

A embarcação tem um dos maiores beach clubs já instalados pela Lürssen: são quatro terraços com 270 metros quadrados de espaço de convivência à beira-mar. O veículo funciona por meio de um sistema de propulsão diesel-elétrico, com um sistema de armazenamento de energia.
 

Na intimação do processo de liquidação do Master, o Nixie não é citado. O liquidante pede que a Lürssen forneça dados de transação ou negócio com Vorcaro e outras pessoas ligadas ao caso Master.
 

Entre os documentos solicitados estão contratos, acordos e cartas de intenção entre a Lurssen e o Banco Master ou uma lista de pessoas ligadas ao caso.
 

Abrange também eventuais transferências de dinheiro ou de bens para a Lurssen pelo banco ou de pessoas ligadas a eles, o que inclui cheques, avisos de transferência eletrônica de fundos, extratos de conta bancária e comprovantes de depósito.
 

Além de negócios relacionados ao Banco Master, o pedido inclui também informações sobre transações que envolvam LetsBank, Banco Master de Investimentos e Master Corretora De Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
 

O LetsBank integrava o grupo Master e foi liquidado pelo Banco Central.
 

O documento também cita pessoas ligadas ao caso Master que foram alvo de congelamento de bens pelo Banco Central brasileiro. A Lürssen terá de informar se fez negócios ou recebeu dinheiro dessas pessoas. Além de Vorcaro, a lista inclui Maurício Quadrado (ex-sócio do Master), Luiz Antonio Bull (ex-diretor de Compliance do Master), Reinaldo Hossepian (ex-diretor do Letsbank), Felipe Simonsen (ex-sócio do Master) e Armando Gallo (ex-sócio do Master).
 

Procurada pela Folha, a defesa de Luiz Antonio Bull disse que ele não tem conhecimento dos fatos relatados. "Tampouco foi comunicado acerca de qualquer assunto ou procedimento relacionado ao tema mencionado", escreveu em nota.
 

A assessoria de Maurício Quadrado e Reinaldo Hossepian disse que os executivos nunca tiveram relação comercial nem realizaram qualquer transação com a empresa Lürssen.
 

A reportagem procurou Felipe Simonsen e Armando Gallo por meio do email registrado no cadastro da empresa nesta quinta-feira (13), mas não obteve resposta.

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