Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias

Notícia

Inflação é a menor para julho em 4 anos e fica abaixo do teto da meta, mas vem acima das projeções

Por Loenardo Vieceli | Folhapress

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), desacelerou a 0,07% em julho, após marcar 0,16% em junho, disse nesta terça-feira (11) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 

A taxa de 0,07% é a menor para meses de julho em quatro anos, desde 2022 (-0,68%).
 

O IPCA, contudo, ficou acima da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0%, segundo a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de -0,1% a 0,07%.
 

Com os dados de julho, o IPCA desacelerou a 4,44% em 12 meses, após registrar avanço de 4,64% até junho.
 

Assim, ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central). O índice havia ultrapassado o teto em maio.
 

ALIMENTOS ALIVIAM, ENERGIA PRESSIONA
 

O grupo alimentação e bebidas teve queda de preços em julho pelo segundo mês consecutivo (-0,67%).
 

A redução foi a mais intensa em dois anos, desde julho de 2024 (-1%), e gerou um impacto de -0,14 ponto percentual no IPCA.
 

Essa foi a principal contribuição para baixo entre os nove grupos pesquisados. Vestuário (-0,66%) e educação (-0,03%) também tiveram queda em julho.
 

A queda de alimentação e bebidas foi puxada pela baixa da alimentação no domicílio (-1,14%). O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, associou a trégua a uma oferta maior de produtos in natura nesta época do ano.
 

As principais baixas foram do tomate (-29,09%), da batata-inglesa (-19,59%), da cenoura (-14,41%) e do café moído (-2,45%). Do lado das altas, o IBGE destacou o leite longa vida (2,47%) e as frutas (1,2%).
 

A alimentação fora do domicílio, em locais como bares e restaurantes, voltou a subir. Os preços aceleraram de 0,15% em junho para 0,55% em julho.
 

Segundo Gonçalves, a alta mais intensa pode refletir a pressão da demanda no período de férias, além de custos de operação, como o da energia elétrica.
 

A conta de luz teve aumento de 3,09% em julho. Isso gerou um impacto de 0,13 ponto percentual no IPCA.
 

Trata-se da principal contribuição individual do lado das altas. A passagem aérea veio na sequência (0,09 p.p.), com aumento de 11,67% no mês passado.
 

O resultado da energia reflete reajustes de concessionárias em São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Em julho, a bandeira amarela permaneceu em vigor no país, com acréscimo na conta.
 

A energia, porém, tende a aliviar o IPCA em agosto. A previsão de analistas está associada à incorporação do desconto do bônus de Itaipu.
 

O bônus é um valor distribuído a milhões de consumidores após a apuração do saldo de comercialização de energia da usina hidrelétrica de mesmo nome.
 

Do lado das baixas, o maior impacto individual do IPCA de julho veio do tomate (-0,10 p.p.), seguido pela contribuição da gasolina (-0,07 p.p.) e da batata (-0,06 p.p.).
 

A gasolina caiu 1,37% em julho. O combustível engatou uma sequência de baixas nos três últimos meses, após ter sido pressionado pela alta do petróleo com a guerra no Irã, iniciada em fevereiro.
 

Etanol (-2,26%), óleo diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%) também caíram de preço em julho.
 

PROJEÇÕES
 

Para os 12 meses de 2026, a mediana das projeções do mercado financeiro aponta IPCA de 5,02%, conforme o boletim Focus mais recente, publicado pelo BC na segunda-feira (10).
 

A previsão seguiu acima do teto da meta, embora tenha caído pela sexta semana consecutiva.
 

A meta é considerada descumprida quando o acumulado permanece por seis meses seguidos de divulgação fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% (piso) a 4,5% (teto). O centro é de 3%.
 

No primeiro semestre, o IPCA sofreu o impacto da carestia dos alimentos e da guerra no Irã. O conflito aumentou as cotações do petróleo e gerou repasses para os preços dos combustíveis.
 

Essas pressões perderam força nos últimos meses, o que ajudou a levar as estimativas do mercado para baixo.
 

Analistas, porém, dizem que a retomada da guerra traz novas incertezas e que o fenômeno climático El Niño é outra ameaça para a inflação a partir do segundo semestre.
 

O El Niño desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas. Em caso de perdas no campo, os preços dos alimentos podem ficar mais caros para o consumidor.
 

O evento climático também ameaça pressionar os custos em setores como o de energia.
 

Na semana passada, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.
 

O colegiado do BC disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia, segundo ata divulgada nesta terça.
 

Apesar do alerta, a autoridade monetária reconheceu que sua política tem surtido efeito, contribuindo para a desaceleração da inflação e ajudando a esfriar a atividade econômica.

Compartilhar