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Milei vê onda anti-Argentina como ataque da esquerda global ao seu governo e culpa oposição

Por Daniela Arcanjo | Folhapress

Foto: World Economic Forum / Ciaran McCrickard

A sempre movimentada conta de Javier Milei no X foi tomada por publicações sobre a onda anti-Argentina nos últimos dias. Dentre as dezenas de postagens que faz por dia, o presidente compartilhou nesta quarta-feira (22) diversos textos sobre o assunto, incluindo um que coloca a oposição como uma "peça fundamental" do fenômeno.

 

"Eles validaram o 'wokismo' que hoje nos acusa de racismo; promoveram a ideia de que os jogadores eram párias; fomentaram o ódio contra Messi; e alimentaram, a partir da própria Argentina, a mentira de que a seleção venceu graças aos árbitros e aos favores da Fifa", disse o escritor e ultradireitista Agustín Laje, ao que Milei respondeu: "Absolutamente correto".

 

A publicação se refere ao rechaço à Argentina durante a Copa do Mundo, na qual a seleção do craque Lionel Messi foi vice-campeã após perder para a Espanha na final do último dominigo (19). As justificativas vão do suposto favorecimento da arbitragem ao país sul-americano a questões mais sérias, como cantos racistas da torcida e até mesmo o governo de ultradireita de Milei.

 

O texto de Laje culpa o kirchnerismo, como é chamada a principal força política de esquerda argentina, em referência aos ex-presidentes Néstor e Cristina Kirchner, e seu "wokismo", termo pejorativo para a agenda progressista importado da direita americana.

 

Outra publicação repostada pelo ultraliberal diz que, aos "inimigos do ocidente", convém "impedir que a Argentina volte a ser próspera". "Não é a primeira vez que tentam, mas agora Javier Milei governa e vai ser a primeira vez que fracassarão", completa Alejandro Fargosi, deputado e membro do partido de Milei.

 

Um internauta também compartilhou o discurso de 2024 do presidente argentino no Fórum Económico Mundial em Davos. Nele, Milei afirmou que o Ocidente estava em perigo porque aqueles que deveriam defendê-lo estão cooptados por uma visão de mundo que levaria ao socialismo.

 

Há dois anos e meio, Milei nos alertou sobre a campanha global coordenada e financiada contra a Argentina, que nada mais é do que mais uma escalada antiocidental", disse o apoiador do presidente, embora o trecho do discurso compartilhado não mencione uma campanha contra a Argentina.

 

"Eles expressam seu ódio agora porque, com o governo de Javier Milei, estamos no caminho para nos tornarmos um país próspero novamente", afirmou a deputada Lilia Lemoine em outra publicação endossada por Milei. "Estamos avançando. E isso incomoda os progressistas invejosos e ressentidos."

 

O próprio presidente fez uma postagem sobre o assunto. "Você tem inimigos? Ótimo. Isso significa que você defendeu algo em algum momento da sua vida", afirmou, atribuindo a declaração ao ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill.

 

O tema cresceu nos últimos dias após celebridades também entrarem na onda anti-Argentina. Na noite do último domingo, o ator Samuel Leroy Jackson, por exemplo, pediu em uma publicação em seu Instagram que não torcessem pelos sul-americanos. "Argentina é, historicamente, um dos países mais racistas do mundo, se não o mais racista", afirmou.

 

A cantora espanhola Rosalía também entrou na controversa ao compartilhar um story da influenciadora Mia Khalifa com a música "La perla" ("a pérola" em espanhol, que pode ser uma gíria para alguém problempatico) de fundo. "Como a vida se parece agora que as 'perlas' foram derrotadas", dizia a postagem.

 

Com shows agendados para o início de agosto em Buenos Aires, Rosalía apagou o post após reação do público argentino. "Cliquei em compartilhar porque 'La Perla' estava tocando e eu nem li o que estava escrito. Erro meu, desculpe", escreveu em seguida.

 

A impopularidade da Argentina é muito diferente do cenário de quatro anos atrás, quando a torcida pelos sul-americanos era perceptível até mesmo no Brasil, adversário do país vizinho. Grande parte do apoio se devia a Messi, atualmente cobrado por não se manifestar por cantos racistas da torcida.

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