EUA sinalizam novo tarifaço ao Brasil, e lista de exceções deve ser ampliada
O representante de comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, sinalizou para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que será mantida a recomendação de um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. A decisão, segundo relatos de uma autoridade brasileira, sairá nesta quarta-feira (15) e deve trazer a ampliação da lista de produtos isentos –o setor privado também acredita que outros segmentos sejam poupados da sobretaxa de 25%.
A investigação foi concluída no início de junho. Em seguida, foram abertos comentários públicos e audiências aconteceram em Washington, onde o setor privado afetado, tanto do lado brasileiro quanto americano, se manifestou em sua maioria contra as tarifas.
A vigência das tarifas pode ser imediata ou acontecer poucos dias após a publicação da decisão, segundo esse mesmo interlocutor ouvido pela reportagem.
A apuração da seção 301 foi instaurada em julho de 2025 como uma das medidas anunciadas pelo republicano em reação ao que ele classificou como uma "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na carta do ano passado, o republicano disse que "a forma como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro, um líder altamente respeitado em todo o mundo durante seu mandato, inclusive pelos Estados Unidos, é uma vergonha internacional. Esse julgamento não deveria estar ocorrendo. É uma Caça às Bruxas que deve acabar imediatamente".
O governo brasileiro realizou reuniões com os americanos desde maio deste ano. Os encontros aconteceram após a visita de Lula na Casa Branca, onde foi acordado a criação de um grupo de trabalho com integrantes dos dois países para que pudessem avaliar conjuntamente as questões envolvidas no processo.
A expectativa era que o grupo trabalhasse por um mês em conjunto. Porém, a conclusão da investigação foi publicada antes do período. As reuniões entre o Brasil e os EUA continuaram, mas segundo relatos de aliados do governo petista, não havia abertura para negociações e os americanos taxariam o Brasil de qualquer forma.
Na terça-feira (14), o governo realizou uma última reunião com representantes americanos. Em nota divulgada pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), o governo afirma que reiterou aos americanos "o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas".
"Como já demonstrado pelo governo brasileiro, nenhuma das razões apontadas na seção 301 justificam a aplicação das tarifas recomendadas", diz a pasta. "Cumprindo a orientação do Presidente Lula, reiterou-se que a aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos vir a formular um acordo bilateral mutuamente adequado."
Como mostrou a Folha de S.Paulo, integrantes do governo brasileiro vão recomendar ao presidente Lula a adoção de medidas de reciprocidade aos Estados Unidos. A possibilidade foi mencionada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, na véspera do prazo final para conclusão da investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos).
"O processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade", disse.
O ministro voltou a falar sobre o tema nesta quarta ao ser perguntado por jornalistas. Segundo ele, eventual auxílio para proteger exportadores brasileiros será definido depois da decisão de Washington e conforme análise dos setores atingidos pelo tarifaço.
"Os empresários brasileiros, as famílias brasileiras, caminhoneiros brasileiros, os agricultores brasileiros não podem ser prejudicados por medidas injustas adotadas pelos países. Se for confirmado um tarifaço, mais uma vez injusto, vai ser preciso avaliar quais setores foram afetados", afirmou. "O governo brasileiro não vai deixar os agricultores, os empresários, as famílias brasileiras na mão."
