Dólar tem forte queda e Bolsa avança com inflação dos EUA abaixo das expectativas
O dólar abriu em forte queda nesta terça-feira (14), após a divulgação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), indicador de inflação dos Estados Unidos, abaixo do esperado. O resultado reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) terá menos pressão para elevar os juros no curto prazo. Às 10h23, a moeda norte-americana caía 1,10%, cotada a R$ 5,073. Já a Bolsa subia 0,5%, aos 176.541 pontos.
Investidores também seguem monitorando os efeitos do novo bloqueio no estreito de Hormuz, via marítima por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. O petróleo voltou a subir mais de 5% e já acumula alta de US$ 10 nesta semana.
O CPI dos EUA recuou 0,4% em junho, acima da expectativa do mercado, que projetava queda de 0,1%. Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o CPI desacelerou tanto na comparação mensal quanto na anual, aproximando-se de 3%, enquanto o núcleo da inflação também avançou menos do que o esperado.
Para o especialista, os dados indicam que o aperto monetário promovido pelo Fed está fazendo efeito, apesar das pressões sobre os preços de energia e do petróleo.
O especialista afirma que, para o Brasil, o resultado tende a reduzir a pressão sobre o dólar frente ao real, aliviando a inflação local e permitindo ao Copom manter a trajetória de cortes da Selic.
O resultado da inflação americana também reduziu as apostas de uma alta dos juros pelo Fed no curto prazo. Na última reunião de política monetária, o banco central manteve a taxa de referência na banda de 3,5% e 3,75%, mas a comunicação que sucedeu a decisão levantou temores sobre os próximos movimentos.
O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, eliminou as orientações sobre a direção da política monetária, embora tenha reforçado que o combate à inflação será prioridade. Além disso, metade dos diretores do próprio banco central revelou vislumbrar ao menos uma alta de juros neste ano.
Com o alívio na inflação, o mercado vê um eventual aperto monetário como menos urgente. Isso diminui também a perspectiva de retornos maiores dos títulos do Tesouro americano, o que tende a enfraquecer o dólar frente a outras moedas.
Apesar disso, investidores ainda veem um cenário de incerteza para a política monetária americana. Sem indicações exatas sobre os próximos passos do Fed para a taxa de juros, a expectativa é de maior volatilidade nos mercados e oscilações mais intensas em torno das decisões do banco central.
Nesse cenário, os custos de empréstimos nos Estados Unidos também podem subir, à medida que os investidores passam a exigir um prêmio maior para compensar a incerteza sobre a trajetória dos juros.
No petróleo, o contrato mais negociado do Brent avança cerca de 4,8%, sendo negociado ao redor de US$ 88 por barril, no maior patamar das últimas quatro semanas.
O analista de Inteligência de Mercado da StoneX, Bruno Cordeiro, diz que o movimento reflete a continuidade das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Durante a renovada troca de ataques com o Irã em torno do estreito de Hormuz, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos vão retomar o bloqueio aos navios iranianos na via marítima e que pretende cobrar um pedágio para manter o tráfego na região.
O mercado de juros futuros também reagiu ao CPI, com queda em parte da curva. A taxa do DI para janeiro de 2028 recuava para 13,96%, baixa de 0,05 ponto percentual. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caía para 14,305%, queda de 0,08 ponto.
