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Marca Bahia Notícias

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PF analisa contratos do Ministério da Saúde com empresa ligada a alvos da Carbono Oculto

Por Mateus Vargas e José Marques | Folhapress

Foto: Divulgação / PF

Investigadores da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e crimes financeiros pediram ao Ministério da Saúde os processos de contratação da Star Pharma, uma distribuidora de medicamentos mencionada em inquérito da operação Carbono Oculto com ligações à rede de negócios dos investigados conhecidos como Beto Louco e Primo.
 

O ministério entregou o material em maio à equipe da Delecor (Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros) da Superintendência da PF no Distrito Federal. A análise está sob sigilo.
 

Os investigadores tiveram acesso aos processos digitais que reúnem os documentos das licitações vencidas pela Star Pharma, além dos trâmites relacionados às entregas de medicamentos e outros produtos da empresa.
 

São seis contratos assinados entre abril de 2024 e maio de 2026, somando cerca de R$ 220 milhões, para entrega de insulina e preservativos ao SUS.
 

Procurada, a Polícia Federal não afirmou se existe um inquérito aberto ou quais são as suspeitas envolvendo a empresa. Disse apenas que "não confirma nem se manifesta sobre eventuais investigações em andamento".
 

O Ministério da Saúde afirmou que não há "evidência de irregularidade" nos processos licitatórios nem informação de investigação da PF envolvendo a pasta.
 

"Os contratos foram realizados por meio de licitação pública em que a vencedora apresentou preços cerca de 30% menores e atendeu aos requisitos legais exigidos a todos os concorrentes", declarou.
 

Em nota, a Star Pharma afirma que elogia a iniciativa das autoridades de "apurar em profundidade todos os processos licitatórios e contratuais" dos fornecimentos de produtos ao SUS. A empresa afirma ainda que a análise "comprovará a total correção e integridade das práticas adotadas pela empresa".
 

A fornecedora do SUS também afirma que irá pedir uma auditoria dos contratos junto ao Ministério da Saúde para comprovar "a absoluta conformidade e ética" da sua conduta.
 

Na representação que baseou a operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, o MP-SP (Ministério Público de São Paulo) incluiu a Star Pharma em uma lista de empresas que seriam ligadas "direta ou indiretamente" a Mohamad Hussein Mourad. Conhecido como Primo, ele é um dos principais investigados, está foragido e tenta delação.
 

A Promotoria ainda afirma que a empresária Andrea Cristina Alves Borges, a única sócia da Star Pharma até novembro de 2025, teria atuado como "laranja", segundo a Promotoria em empresas do grupo de Primo e de Roberto Leme, o Beto Louco, que também está no centro das suspeitas.
 

A investigação mira a inserção do crime organizado no setor de combustíveis. A Star Pharma e Andrea não foram alvos das ações policiais, que até agora não têm como foco contratos do SUS.
 

O MP-SP aponta que o grupo de Beto Louco e Primo atuaria na venda de combustível adulterado e utilizava fintechs e fundos de investimento para movimentar os recursos.
 

O documento que menciona a atuação de Andrea baseou a operação Fluxo Oculto, feita no fim de maio de 2026 como desdobramento da Carbono Oculto. O Ministério Público diz que ela participou da reorganização financeira dos postos de gasolina após o início das apurações.
 

Com sede em Barueri (SP), a Star Pharma representa empresas estrangeiras em negócios com o SUS, especialmente para a venda de insulina. A maior parte dos acordos com o ministério foi assinada por Andrea.
 

Além de ter sido a única sócia da Star Pharma até o fim de 2025, ela teve procurações para representar ao menos cinco empresas de diferentes ramos —formuladora e distribuidora de combustível, uma investidora e lojas de conveniência— que pertenciam a parentes ou a supostos laranjas do Primo.
 

Andrea ainda assumiu a sociedade de um motel e de uma administradora transferidas a ela por uma irmã de Mourad.
 

A reportagem tenta contato com Andrea desde março por ligações, mensagens a dois telefones e email, mas não houve resposta.
 

Segundo investigadores, mensagens de Andrea a um contador do grupo investigado seriam provas de que ela teria atuado na reorganização financeira dos postos.
 

Ela teria informado ao contador, em 4 de setembro de 2025, que o banco Ceopag encerrou a relação comercial com empresas devido às investigações. Em áudio, ela apresentou o plano de abrir conta em nove fintechs e concentrar as movimentações de 56 postos no nome de apenas um deles, segundo a investigação.
 

"Porque é um dos postos em que a gente tem um recolhe maior, e nós vamos centralizar o recolhimento de 56 postos nesse posto através da Sispay", afirmou Andrea, em áudio transcrito pela Promotoria.
 

O contato dela foi salvo pelo contador como "Andreia GGX", que é o nome de uma rede de postos que a investigação diz ser ligada a Primo.
 

CONTRATOS COM O SUS
 

Os principais contratos da Star Pharma com o ministério estão ligados a um pregão vencido em 2024 para entrega de insulina. Na disputa, a farmacêutica Emanuela Medrades atuou em nome da Star Pharma e de uma concorrente, a Medicpharma, que tinha como sócio à época um advogado dela.
 

O edital vedava a participação de empresas com conexões ou a atuação em conluio. No ano passado, a Star Pharma e a Medicpharma negaram irregularidades e disseram à reportagem que não houve conluio na licitação.
 

O Ministério da Saúde afirma que a legislação impede a avaliação individual dos representantes das empresas. Diz ainda que "fez consulta" aos processos da Star Pharma e não encontrou irregularidades.
 

Medrades assumiu a sociedade da Star Pharma após a saída de Andrea. Ela já atuava na empresa ao menos desde 2023. A farmacêutica também depôs à CPI da Covid no caso envolvendo a venda da vacina indiana Covaxin ao governo de Jair Bolsonaro (PL) pela empresa Precisa Medicamentos, da qual era diretora.

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