Após fechamento, EUA dizem que Irã não controla o Estreito de Hormuz
Após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Hormuz, os Estados Unidos afirmaram neste domingo (12) que está atuando para a livre navegação no local.
O Comando Central dos EUA, responsável por operações militares no Oriente Médio e Ásia, alega que a via está aberta. Em comunicado nas redes sociais, a corporação disse que todos os navios que buscam transitar legalmente pela passagem estão trafegando.
"O Irã não controla o Estreito, o tráfego está fluindo", declarou. Ontem, a IRGC (Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) fechou temporariamente o Estreito de Hormuz até "novo aviso", de acordo com a mídia estatal iraniana.
O país já havia ameaçado trancar a rota, caso voltasse a ser atacado. Com a intensificação dos bombardeios dos EUA, que voltaram a atingir alvos na última quarta-feira (8), a marinha iraniana definiu que nenhuma embarcação está autorizada a passar pelo canal até que a interferência dos EUA termine.
Forças norte-americanas dizem estar posicionadas nesse momento em Hormuz para garantir a "liberdade de navegação". De acordo com elas, isso ocorre apesar da "agressão iraniana injustificada, assédio, ameaças e declarações arbitrárias".
O nível de ameaça na via, no entanto, permanece no grau máximo de perigo. Após avaliação, a Organização Marítima e de Transportes do Reino Unido informou que a rota sul permanece disponível e foi ampliada para permitir o tráfego nos dois sentidos, apesar da proclamação iraniana de que o Estreito está fechado.
Nova onda de ataques
Questões em torno do canal marítimo são justamente o que o governo norte-americano alegou para realizar os novos ataques. O confronto começou após as forças iranianas dispararem contra um navio cargueiro do Chipre, que estaria navegando por uma rota não autorizada no Estreito de Hormuz. Uma segunda embarcação, acusada de desligar os sistemas de monitoramento, também foi atingida.
Os EUA, então, atacaram pelo menos 140 alvos em território iraniano, em reação às intercepções marítimas. Segundo o Comando Central, a ação destruiu bases de mísseis, drones, depósitos de munição e redes de comunicação.
O Irã, por sua vez, atacou vizinhos do Golfo Pérsico em retaliação aos bombardeios. Jordânia, Bahrein, Qatar, Omã e Emirados Árabes Unidos foram alvos de mísseis e drones na manhã de hoje.
Países atacados condenaram as ações militares iranianas. O Qatar, por exemplo, declarou ter o direito de "responder" após uma série de mísseis lançados contra o território, que abriga um importante contingente militar dos EUA na base aérea de Al Udeid.
A escalada militar enfraquece o acordo de paz que vinha sendo desenhado. O memorando de entendimento entre EUA e Irã buscava colocar um fim definitivo à guerra na região.
