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Liberais transitam por equipes de presidenciáveis da direita, e Durigan é escalado para defender Lula

Por Adriana Fernandes e Luany Galdeano | Folhapress

Fotos: Presidência da República / Agência Brasil

A cerca de dez dias do início das convenções partidárias que vão oficializar os candidatos ao Palácio do Planalto, as campanhas dos presidenciáveis do campo da direita recrutam conselheiros entre os economistas liberais para construir planos de governo de oposição à política econômica adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 

Na ausência de um nome único da direita na disputa contra Lula, boa parte desses conselheiros se apresenta como colaboradores informais e sem vínculo direto, transitando entre as campanhas de mais de um presidenciável. Outros preferem, por enquanto, contribuir no anonimato. As conversas aceleraram nos últimos dias.
 

Os nomes dos conselheiros vão desde "ex-Guedes", como têm sido chamados os integrantes do superministério da Economia de Paulo Guedes –o "Posto Ipiranga" do ex-presidente Jair Bolsonaro–, até economistas que participaram de outros governos, como o ex-diretor do Banco Central no governo Fernando Henrique Cardoso Luiz Fernando Figueiredo. Nome de relevo no mercado financeiro, Figueiredo se juntou ao time do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
 

O foco em comum na campanha dos presidenciáveis da direita é a crítica à política fiscal do governo Lula 3 de expansão de despesas, aumento da dívida pública e alta de tributos, além da defesa de maior participação do setor privado na economia. Todos vêm reunindo dados para contestar os números de Lula na economia.
 

Enquanto a campanha do presidente se vê às voltas com as regras do defeso eleitoral, as conversas no time de economia do seu principal adversário nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL), se firmaram sob a direção da empresária Daniella Marques.
 

Braço direito de Guedes no Ministério da Economia e depois presidente da Caixa Econômica Federal, Marques é apontada como o atual "Posto Ipiranga" de Flávio. A influência de Marques na campanha, chefiada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), aumentou após o racha dele com Michele Bolsonaro. Ela também é cotada para a vice de Flávio.
 

Marques está formalmente na campanha do filho de Jair Bolsonaro há 25 dias e se licenciou da empresa Legend para trabalhar integralmente nela. Nos bastidores tem repetido a estratégia que Guedes adotou: apresentar Flávio a nomes-chave do mercado financeiro e formuladores de opinião, e tem comandado reuniões para discutir a estratégia econômica.
 

"Desde o início do ano, sob a liderança de Marinho, estamos compilando diversas pesquisas, estudos e entrevistas com especialistas, para o Flávio determinar quais as prioridades e caminhos para chegarmos ao formato final do plano de governo", afirma Marques.
 

Segundo ela, o objetivo é apresentar um projeto que "funcione e resolva o problema das pessoas". Serão três pilares: mobilidade social; reformas macro; e microrreformas de setores estratégicos. "Há inúmeros desafios macroeconômicos a serem enfrentados porque o PT deixou o país no abismo. Vamos focar em resolver esse rombo para levar soluções concretas às famílias. Será um projeto técnico de reformas com viabilidade política."
 

Marinho contratou um estudo feito pela GO Associados, do economista Gesner Oliveira, ex-presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e fez entrevistas com especialistas para ajudar na definição das propostas. O senador convidou o ex-deputado federal Eduardo Cury (PL) para desenvolver o plano de governo. Outra participante é Solange Vieira, que chefiou a Susep (Superintendência de Seguros Privados) durante o governo Bolsonaro.
 

Marques também tem apresentado Flávio a economistas mulheres. É o caso de Cristiane Schmidt, atual CEO da MSGÁS (Companhia de Gás do Estado de Mato Grosso do Sul). Ela almoçou recentemente com o candidato do PL, e também vem discutindo propostas com a equipe de Zema, chefiada pelo ex-secretário de Guedes Carlos da Costa. Cristiane também foi secretária de Economia em Goiás durante o governo de Caiado, entre 2019 e 2023.
 

Marcos Troyjo, ex-presidente do banco dos Brics, é outro ex-Guedes em atuação —ele foi secretário especial de Assuntos Internacionais. Ele mantém conversas com as campanhas de Flávio, Caiado e Zema. A interlocutores diz que quer contribuir com ideias para o país.
 

Pessoas que integram a campanha afirmam que o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida também colabora com o programa de Flávio. Sachsida, contudo, nega ser colaborador direto, mas já declarou voto em Flávio e afirma ter proximidade maior com ele do que com os demais nomes da direita.
 

"Me dou melhor com Flávio porque trabalhei com o pai dele. Tenho certeza que se eu ligar para o senador, ele vai me atender mais do que os outros candidatos", diz. "Se isso é uma colaboração com Flávio, aí eu estou colaborando."
 

Interlocutores afirmam que Flávio tem confiado plenamente em Daniella para tocar a parte econômica de seu plano. Estaria, inclusive, disposto a mudar de opinião sobre a reforma tributária. Ele já propôs revogá-la, alegando que pode resultar em aumento de impostos.
 

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, diz que a construção do plano de economia da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) ainda vai começar em alguns dias. "Não tem nenhum Posto Ipiranga", diz Kassab, que deverá sair de vice na chapa de Caiado. "Ele está ouvindo todo mundo e procurando contribuições."
 

Roberto Brant, que foi deputado federal e ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, está à frente do plano econômico do ex-governador de Goiás e diz que marcará diferenças claras com o governo do PT.
 

"Quem faz o crescimento é o setor privado, ao contrário do que o Lula acha. Mas o setor privado está emparedado, porque o custo de capital ficou exorbitante, e o crédito vai ficar cada vez mais restrito", diz, sem dar muitos detalhes sobre as medidas que proporá.
 

Uma das vantagens de Caiado sobre os demais candidatos, segundo auxiliares, é o traquejo político com um Congresso cada vez mais empoderado. Outro nome do time do ex-governador é Erik Figueiredo, outro "ex-Guedes" —ele foi subsecretário de política fiscal.
 

Zema também conta com "ex-Guedes" em seu time. Carlos da Costa chefia o programa econômico do candidato do Novo. Segundo ele, uma das prioridades é promover um choque fiscal nos gastos do governo. Para isso, sugere o congelamento na contratação de servidores por dois anos e a privatização de todas as estatais. A ideia, segundo ele, seria começar pela Petrobras e o Banco do Brasil.
 

"Estou me juntando a uma candidatura com a qual me identifico e em que posso contribuir nas questões econômicas. O trabalho nessa área está bastante avançado, estou ainda começando a olhar o plano para eventualmente dar sugestões", diz Luiz Fernando Figueiredo, que também integra a equipe de Zema.
 

Na equipe econômica do presidenciável Renan Santos (Missão), o principal nome já divulgado é o do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP).
 

Kataguiri afirma que um dos focos da campanha é o eixo fiscal. Entre as propostas, está a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário-mínimo, para que aposentadorias e pensões passem a ser ajustadas apenas pela inflação, sem ganho real.
 

Embora Renan Santos apareça numa posição pouco expressiva em pesquisas, Kataguiri afirma ver potencial no "fator Milei", presidente da Argentina que inspira a campanha do Missão.
 

"Na parte econômica, em termos de opinião pública, a maioria seria mais simpática ao Milei do que anti-Milei", diz o deputado. "O programa [de Renan] vai ser o mais detalhado das candidaturas à presidência, porque geralmente os programas que são protocolados no TSE são mais cartinha pro Papai Noel do que detalhamento de proposta."
 

O governo Lula, alvo das críticas de todos os candidatos da direita, escalou Dario Durigan (ministro da Fazenda) para falar das propostas para um eventual quarto mandato. Pelas regras eleitorais, ele pode falar em nome do candidato apenas fora do horário de expediente.
 

Por meio de nota enviada à reportagem pelo PT, o ministro diz que o governo recompôs a base fiscal com progressividade tributária. "A construção do plano [de governo] saberá dialogar com o sucesso desse terceiro mandato e apontará caminhos para que o país siga avançando", afirma.
 

Durigan diz que está mantendo um diálogo frequente e produtivo com o presidente do PT, Edinho Silva, e com quadros do partido, da base do governo e lideranças empresariais e financeiras, da sociedade civil e parlamentares.
 

Na economia, segundo auxiliares, o presidente Lula também ouve o ex-ministro Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e os ministros Bruno Moretti (Planejamento) e Esther Dweck (Gestão). O coordenador é o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli.
 

 

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