Lula diz não aceitar tratamento dos EUA com tarifaço e chama Rubio de 'latino-americano frustrado'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (3) que o Brasil não pode aceitar o tratamento dispensado pelos Estados Unidos. Ele deu a declaração na abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto, após autoridades americanas proporem um novo tarifaço contra produtos brasileiros.
O petista também afirmou que enviará uma carta ao presidente americano, Donald Trump. E disse que o secretário de Estado do país, o descendente de cubanos Marco Rubio, é um "latino-americano frustrado".
"Nós somos muito grandes, temos muita história. E nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil nesta semana", declarou o presidente brasileiro em reunião ministerial. "Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos", disse ele.
Após a conclusão da investigação da seção 301 que prevê um novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos) divulgou na madrugada desta quarta uma nova análise que também inclui o Brasil.
Trata-se do caso investigado sobre o suposto uso de trabalho forçado por 59 países e a União Europeia. A tarifa aplicada nesse caso será de 12,5%.
Lula fez um movimento de aproximação com Donald Trump nos últimos meses. No início de maio, ele visitou o presidente americano. O petista relata ter conversado sobre tarifas com Trump, e que as novas propostas de tarifas o surpreenderam porque ainda havia negociações em andamento.
O presidente brasileiro afirmou que soube do tarifaço por meio de redes sociais, não por uma comunicação oficial.
Lula fez críticas a Marco Rubio, integrante da ala mais idológica do governo Trump e chefe do Departamento de Estado, um dos setores da gestão americana com maior influência do movimeto Maga –como ficou conhecido o grupo que adota o slogan "make America great again", ou "Faça os Estados Unidos grandes novamente", em português.
"Esse Marco Rúbio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil, é um latino-americano frustrado", declarou Lula. Na terça-feira, Rubio disse que o Brasil não é um país amigável aos interesses americanos.
O Departamento de Estado é um dos principais focos do lobby da família Bolsonaro contra o governo Lula. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro tem interlocução com funcionários do órgão. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato a presidente da República, se encontrou com Marco Rubio quando viajou aos Estados Unidos, visita que também incluiu uma conversa com Trump.
O alinhamento da família Bolsonaro a Trump tem sido usado por Lula e seus aliados para causar desgaste a Flávio na pré-campanha eleitoral. No ano passado, quando os Estados Unidos anunciaram o primeiro tarifaço, a gestão Trump associou a medida ao julgamento que, meses depois, condenaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a prisão.
"Estão querendo trair o Brasil com interesses mesquinhos de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria", disse Lula.
O presidente da República também mencionou o golpe militar de 1964, que tinha apoio americano e jogou o Brasil na ditadura encerrada em 1985.
"Nós já sabemos, que antes dessa jogada deles [Estados Unidos], esse país foi vítima de golpe em 1964 e naquele tempo articulado por embaixadores americanos no Brasil. É importante que eles saibam que nós conhecemos a história, que não queremos guerra, que nós queremos construir a narrativa verdadeira de uma relação que já dura 201 anos, e queremos fortalecer nossa relação institucional com os Estados Unidos", declarou o petista.
