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Trabalhadores poderão consultar FGTS para quitar dívidas no Desenrola a partir do dia 25 de maio

Por Júlia Galvão | Folhapress

Foto: © Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os trabalhadores poderão consultar, a partir do dia 25 de maio, o saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) disponível para utilização no novo Desenrola, segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
 

Após a consulta do saldo, as instituições financeiras terão um prazo estimado de até 30 dias para formalizar os contratos com os trabalhadores e registrar as informações nos sistemas da Caixa Econômica Federal. Após a validação do contrato, a Caixa fará a transferência direta do valor do FGTS à instituição financeira. A estimativa é de que até R$ 8,2 bilhões do FGTS possam ser utilizados para renegociação de dívidas por meio do programa.
 

Dez dias após o lançamento do programa, o uso do fundo ainda não havia sido liberado nem tinha previsão para começar a operar, o que passou a gerar dúvidas entre os trabalhadores. A Caixa, agente operador do fundo, afirma que ainda estrutura os procedimentos operacionais necessários para que as instituições financeiras possam oferecer a modalidade aos clientes.
 

Em nota, a Caixa diz que o fluxo operacional de uso do FGTS será conduzido pelas próprias instituições financeiras, sem necessidade de o trabalhador ir a uma agência do banco estatal. Segundo o banco, nos próximos dias serão divulgadas as diretrizes operacionais para que as insituições habilitadas implementem o serviço e para que os trabalhadores autorizem o acesso aos saldos do FGTS.
 

O MTE diz ainda que, neste momento, a Caixa está finalizando a integração dos sistemas e iniciando os testes operacionais. Na última terça-feira (13), foi disponibilizado às instituições financeiras o "swagger", documento que reúne as regras e especificações técnicas da API que será utilizada no processo.
 

Já a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) diz que uma parcela relevante das instituições financeiras associadas já disponibilizou o novo Desenrola Brasil aos clientes. Segundo a entidade, os bancos não relataram entraves relevantes para a implementação do programa, embora ainda existam questões operacionais pontuais.
 

A federação acrescenta que acompanha, junto à Caixa, a abertura e divulgação dos procedimentos para uso do FGTS.
 

Ainda segundo o MTE, o governo federal também vai liberar R$ 8,4 bilhões em saques residuais de saldos do FGTS para 10,5 milhões de trabalhadores no dia 26 de maio. O valor será destinado a cotistas que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025.
 

Os recursos estavam retidos por causa de um entendimento da Caixa, que fazia um bloqueio maior nas contas para garantir o pagamento futuro de empréstimos de antecipação do saque-aniversário. A liberação considera a interpretação do governo federal de que a retenção necessária é menor, o que abriu espaço para destravar parte desses valores aos trabalhadores.
 

Segundo o MTE, os trabalhadores que receberão o crédito referente ao saque residual e quiserem aderir ao Desenrola usando recursos do fundo também precisarão esperar até o dia 25 de maio para consultar o saldo remanescente disponível na conta do FGTS.
 

De acordo com o ministério, após a consulta do saldo, as instituições financeiras terão um prazo estimado de 30 dias para celebrar os contratos com os trabalhadores e registrar as operações nos sistemas da Caixa. Depois do reconhecimento do contrato, a Caixa fará a transferência direta do valor do FGTS à instituição financeira responsável pela renegociação da dívida.
 

Antes do dia 25, será feito um processamento interno para separar os valores que serão pagos. Na prática, o saldo residual pode deixar de aparecer temporariamente na conta do FGTS nos dias anteriores ao depósito, que acontece no dia 26.
 

Exemplo: se o trabalhador tiver R$ 2.000 no FGTS e R$ 1.000 forem referentes ao saldo residual liberado, esses R$ 1.000 podem sair momentaneamente da conta durante o processamento bancário. Depois, no dia 26 de maio, o valor será depositado na conta corrente do trabalhador. Os R$ 1.000 restantes correspondem ao saldo que poderá ser utilizado no novo Desenrola Brasil.
 

USO DO FGTS NO DESENROLA
 

O novo Desenrola Brasil prevê uma nova forma de uso do FGTS para que trabalhadores possam quitar dívidas. A regra estabelece que será possível utilizar até 20% do saldo disponível na conta do fundo ou até R$ 1.000 (o que for maior) para pagar parcial ou integralmente os débitos renegociados.
 

O acesso aos recursos do FGTS só será permitido após a renegociação da dívida dentro do programa. Segundo o governo, a exigência funciona como um mecanismo de proteção ao trabalhador, ao garantir que as instituições financeiras ofereçam os descontos mínimos antes da utilização do fundo. A expectativa é que a medida amplie a capacidade de negociação das famílias, com potencial de movimentar até R$ 8,2 bilhões em recursos do fundo.

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