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Marca Bahia Notícias

Notícia

UE veta importação de carne bovina do Brasil a partir de setembro

Por Pedro S. Teixeira | Folhapress

Foto: David Foodphototasty/Unsplash

 A União Europeia retirou nesta terça-feira (12) o Brasil de uma lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária.
 

Com isso, o Brasil não poderá exportar carne bovina para os integrantes do bloco a partir de setembro por não cumprir as normas sanitárias europeias. A lista, validada por países europeus, tem a presença de Argentina, Chile, Colômbia, México e Uruguai.
 

Segundo a UE, os países excluídos, como o Brasil, não forneceram ao bloco as garantias quanto à não utilização de produtos antimicrobianos na pecuária.
 

A lista poderá ser atualizada em breve, assim que as autoridades brasileiras responderem a Bruxelas.
 

Os países do bloco europeu foram o terceiro maior destino de exportações de carne brasileira em 2025, ficando atrás de EUA e China, de acordo com dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). A UE compra mais cortes nobres, de maior valor agregado, embora responda apenas por 3,6% das negociações.
 

Até o momento, o Brasil tem comércio aberto com a Europa de carne bovina e de frango, peixes, embutidos, cavalos vivos e mel. A nova restrição da UE vale para todos os produtos a partir de setembro.
 

A nova lista, da qual o Brasil foi cortado, reflete o desejo da União Europeia de enviar um forte sinal de vigilância, após críticas do setor agrícola e da França pela assinatura de um acordo de livre comércio com os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai).
 

O acordo entrou em vigor em 1º de maio, em caráter provisório, aguardando decisão judicial na Europa sobre sua legalidade.
 

"Nossos agricultores seguem alguns dos padrões de saúde e antimicrobianos mais rigorosos do mundo. Portanto, é legítimo que os produtos importados estejam sujeitos aos mesmos requisitos. A decisão tomada hoje (terça-feira) demonstra que o sistema europeu de controle funciona", afirmou o comissário europeu para a Agricultura, Christophe Hansen.
 

Segundo as normas europeias, o uso de antimicrobianos em animais para promover o crescimento ou aumentar a produção é proibido. Os animais também não podem ser tratados com antimicrobianos reservados para infecções humanas.
 

Essas medidas fazem parte da política europeia de combate à resistência dos micróbios aos medicamentos e de evitar o uso desnecessário de antibióticos.
 

No fim de abril, o governo brasileiro proibiu o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, alinhando-se a um movimento mundial impulsionado pelo avanço da resistência bacteriana, considerada uma das principais ameaças globais à saúde. A restrição não afeta o uso terapêutico.
 

A medida atingiu diretamente cinco antimicrobianos amplamente usados em sistemas intensivos de produção animal -avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalicilato e virginiamicina-, um dos aditivos mais difundidos no país, especialmente em granjas e criações industriais.
 

Embora o controle da venda de antibióticos para humanos exista no Brasil há mais de dez anos, com retenção de receita para conter o uso indevido, especialistas vêm alertando que o maior volume desses medicamentos circula fora das farmácias.

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