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Participação de adolescentes no eleitorado pode atingir pior nível desde 2014, diz pesquisa

Por Fernanda Mena / Marina Pinhoni | Folhapress

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O prazo para emissão do título de eleitor termina nesta quarta-feira (6), e o Brasil parece caminhar para o registro do pior índice de participação de adolescentes de 16 e 17 anos em uma eleição presidencial desde ao menos 2014.
 

Em 2022, mais de 2,5 milhões de jovens de 16 e 17 anos haviam solicitado a emissão de seus títulos de eleitor até o mês de maio.
 

Já em 2026, projeção do Instituto Lamparina e do movimento GirlUp Brasil com base nos dados mensais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que entre 1,44 milhão e 1,6 milhão de jovens de 16 e 17 anos devem se cadastrar para votar até o final do prazo.
 

O número representa cerca de 27,6% da população de adolescentes destas idades no país, o que fica abaixo dos percentuais registrados em 2014 (33,7%), 2018 (31%) e 2022 (41,2%).
 

Os dados usados na projeção da Girl Up Brasil são de jovens que solicitaram seus títulos até maio de cada ano eleitoral. O dado consolidado pelo TSE de eleitores aptos a votar nesta faixa etária é sempre um pouco diferente porque desconsidera aqueles eleitores que solicitaram o título aos 17 anos, mas completaram 18 anos antes do primeiro turno, em outubro.
 

Há quatro anos, o cenário parecia caminhar na mesma direção. Em fevereiro de 2022, apenas 830 mil adolescentes haviam solicitado o título eleitoral, o pior início de série histórica para o grupo. A adesão equivalia a 13,6% da população de 16 e 17 anos e terminou com 41,2%. O voto nesta faixa etária é facultativo.
 

"Começamos no pior janeiro da série histórica e terminamos com o melhor maio", afirma Letícia Bahia, codiretora executiva da Girl Up Brasil, iniciativa voltada à formação de lideranças femininas e à promoção da igualdade de gênero. "O ângulo da curva foi completamente atípico."
 

A mudança, naquele ciclo eleitoral, ocorreu após a uma mobilização digital em defesa do voto jovem que transformou o alistamento em fenômeno de redes sociais.
 

Influenciadores e artistas como a cantora Anitta e os atores Leonardo Di Caprio e Mark Ruffalo impulsionaram campanhas para incentivar adolescentes a emitir o documento antes do prazo final.
 

Para Letícia Bahia, o crescimento recorde de 2022 ocorreu menos por ação institucional, como as campanhas do TSE, e mais por pressão da sociedade civil e dos próprios jovens.
 

Ao final do prazo, mais de 2,1 milhões de adolescentes estavam aptos para votação, o que marcou um recorde de adesão nesta faixa etária desde a redemocratização.
 

O fato de, naquele ano, ter sido possível realizar digitalmente o pedido de emissão do título de eleitor facilitou a mudança brusca. Já em 2026, a necessidade de registrar a biometria dos novos eleitores fez com que só fosse possível concluir a solicitação do título presencialmente.
 

Em 2020, em meio às restrições sanitárias da pandemia da Covid 19, o TSE passou a permitir a emissão online do documento e suspendeu temporariamente a exigência de biometria presencial. A medida ampliou o acesso em regiões sem cartórios eleitorais e reduziu barreiras logísticas para adolescentes.
 

"Milhares de municípios não têm cartório eleitoral", afirma Bahia. "A barreira do alistamento presencial é física."
 

Em 2026, embora parte do procedimento continue digital, a coleta biométrica voltou a ser exigida para novos eleitores. O Instituto Lamparina e o GirlUp Brasil avaliam que a retomada da etapa presencial pode ter contribuído para desacelerar o alistamento.
 

"O aumento expressivo de 2022 mostrou que os jovens da Geração Z querem participar. Quando o processo se torna mais acessível, eles respondem. O desafio agora é evitar que barreiras burocráticas ou tecnológicas silenciem essa participação", afirma Gabi Juns, diretora executiva do Instituto Lamparina, organização liderada por mulheres que atua em pesquisas e campanhas.
 

Letícia Bahia avalia que o recuo preocupa porque o comparecimento eleitoral é uma das métricas importantes da democracia. "Se estamos preocupados com erosão democrática, deveríamos olhar mais para isso", avalia.

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